MELIOIDOSE DISSEMINADA RESISTENTE A CARBAPENÊMICOS COM ENVOLVIMENTO PULMONAR, CARDÍACO E CUTÂNEO: RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1150Palavras-chave:
Melioidose, Pneumopatias, Endocardite, Burkholderia pseudomallei, Resistência Microbiana a MedicamentosResumo
INTRODUÇÃO: Melioidose é uma doença infecciosa causada pela Burkholderia pseudomallei, bactéria Gram-negativa encontrada em solo e água de regiões tropicais do mundo, especialmente no Sudeste da Ásia e Norte da Austrália. É uma doença rara e subdiagnosticada em nosso meio, o que torna de fundamental importância a suspeição nos pacientes com características clínicas e epidemiológicas compatíveis com a doença. RELATO DE CASO: O caso descrito trata-se de um paciente que iniciou sua história clínica com uma infecção de foco cutâneo, evoluindo com manifestações sistêmicas, como pulmonar e cardíaca. O paciente em questão foi diagnosticado com melioidose disseminada através do isolamento em cultura microbiológica de sangue da Burkholderia pseudomallei. A infecção demonstrou resistência a carbapenêmicos pelo antibiograma, dificultando o manejo terapêutico. O diagnóstico foi desafiador devido à apresentação clínica inespecífica e à raridade da doença em regiões não endêmicas. A confirmação laboratorial permitiu a instituição de tratamento antimicrobiano direcionado com uso de Meropenem e Sulfametoxazol-Trimetoprim, com evolução clínica favorável e melhora expressiva do quadro. DISCUSSÃO: A melioidose é uma doença infecciosa grave, frequentemente subdiagnosticada fora de áreas endêmicas como o Sudeste Asiático e o norte da Austrália. No Brasil, já foi identificada em vários estados, com destaque para o Ceará, onde os casos têm aumentado e geralmente evoluem de forma grave. Seus sintomas inespecíficos dificultam o diagnóstico, pois podem simular outras infecções. A bactéria causadora, Burkholderia pseudomallei, apresenta crescente resistência a antibióticos, como os carbapenêmicos, o que complica o tratamento. A doença pode afetar múltiplos órgãos e, embora raro, pode também causar endocardite. Este cenário reforça a necessidade de maior vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce, reconhecimento da resistência antimicrobiana e capacitação dos profissionais de saúde, mesmo em regiões fora das áreas tradicionalmente afetadas. CONCLUSÃO: Visto tratar-se de um dos poucos casos registrados na literatura de melioidose resistente a carbapenêmicos com acometimento multissistêmico, este relato destaca a importância da suspeição clínica da melioidose em pacientes com múltiplos focos infecciosos, especialmente em áreas tropicais, e reforça a necessidade de protocolos diagnósticos ágeis e conhecimento sobre resistências bacterianas emergentes.
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