Desafios no Diagnóstico de Infecções Pediátricas Congênitas: Um Relato de Experiência
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1013Palavras-chave:
infecção sexualmente transmissível, Pediatria, Sífilis Congênita, Comunicação em Saúde, Estigma socialResumo
INTRODUÇÃO: os estigmas e tabus em torno das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) dificultam o diagnóstico e o tratamento, especialmente em casos de transmissão congênita. Durante o internato de pediatria, desafios foram enfrentados quanto à desinformação e à rejeição ao cuidado, destacando a importância do diagnóstico precoce, da abordagem humanizada e do combate ao preconceito por meio de diálogo e políticas públicas. RELATO: a estudante foi responsável pela evolução clínica de alguns dos recém-nascidos de uma maternidade durante o internato de pediatria, enquanto se deparava com a dificuldade de lidar com a recusa da família em aceitar o diagnóstico, especialmente quando se tratava de ISTs, o que, por vezes, resultou em evasão hospitalar e interrupção do tratamento recomendado. DISCUSSÃO: a vivência ressaltou a importância da prática clínica na formação médica, permitindo o desenvolvimento de competências diagnósticas, terapêuticas e socioemocionais. Durante a experiência, foi destacada a relevância do pré-natal na prevenção de desfechos graves, especialmente no que se refere ao diagnóstico precoce e à implementação de intervenções preventivas. O impacto emocional nas famílias, muitas vezes intensificado pela revelação do diagnóstico, reforça a necessidade de uma abordagem empática e multiprofissional. Essas ações visam minimizar complicações, fortalecer a adesão ao tratamento e promover um cuidado integral, garantindo não apenas a eficácia clínica, mas também a qualidade humanizada do atendimento. CONCLUSÃO: a experiência proporcionou aprendizado tanto técnico quanto biopsicossocial e evidenciou a importância de integrar os aspectos emocionais das famílias no manejo das infecções pediátricas congênitas. Nesse contexto, é fundamental ampliar a efetividade da comunicação assertiva e terapêutica, capacitando a equipe para lidar de forma mais eficaz com as barreiras culturais e emocionais. Além disso, é necessário fortalecer o suporte psicossocial, promovendo um atendimento mais empático e humanizado, com o objetivo de garantir a adesão ao tratamento e prevenir a evasão hospitalar.
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