EPIDEMIOLOGIA DO AVC NO BRASIL: DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E TENDÊNCIAS NO PERÍODO DE 2013 A 2023
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1004Palavras-chave:
Saúde Pública, Determinantes sociais de saúde, políticas públicas, AVC isquêmicoResumo
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil, com impactos significativos na saúde pública devido à sua alta incidência, mortalidade e influência na qualidade de vida dos sobreviventes. O estudo buscou analisar a distribuição geográfica, os fatores demográficos, a mortalidade e as internações por AVC no Brasil, identificando padrões de vulnerabilidade e tendências para subsidiar políticas públicas de saúde. Este estudo analisou a distribuição geográfica da incidência, mortalidade e internações por AVC no Brasil, utilizando dados do sistema TABNET do DATASUS entre 2013 e 2023. Além disso, foram avaliados fatores clínicos, demográficos e econômicos relacionados ao evento, com foco nas desigualdades regionais. Os resultados indicaram disparidades regionais marcantes. A Região Sudeste apresentou as maiores taxas de mortalidade e internações, atribuídas a uma maior densidade populacional e prevalência de fatores de risco, como hipertensão e sedentarismo. A Região Nordeste destacou-se pelo elevado número de internações, enquanto a Norte registrou os menores índices, refletindo menor densidade populacional e desafios no acesso aos serviços de saúde. O aumento geral das internações e da permanência hospitalar ao longo dos anos foi associado ao envelhecimento populacional e à prevalência crescente de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Embora o estudo tenha abordado amplamente as tendências temporais e geográficas do AVC, a ausência de dados detalhados sobre a relação entre características individuais dos pacientes e fatores de risco limitou a análise de associações mais aprofundadas. Destaca-se a necessidade de políticas públicas que promovam a prevenção, o acesso a cuidados emergenciais e a reabilitação, além de maior precisão na classificação das causas de morte relacionadas ao AVC. O estudo reforça a importância de abordagens multidisciplinares para enfrentar as desigualdades regionais e melhorar os desfechos clínicos.
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