ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA ESPINHA BÍFIDA EM NEONATOS BRASILEIROS NO PERÍODO DE 2014 A 2023
Palavras-chave:
Espinha Bífida, Cuidado Pré-Natal, Recém-nascidoResumo
INTRODUÇÃO: A espinha bífida é uma malformação congênita do tubo neural decorrente do fechamento incompleto da coluna vertebral, geralmente entre a 3ª e 4ª semana gestacional. Apresenta amplo espectro clínico, variando de formas leves até quadros graves com paralisia, disfunções urológicas e hidrocefalia. Apesar dos avanços na prevenção, especialmente com a suplementação de ácido fólico, a condição ainda representa um desafio para a saúde pública, pela sua associação com morbidade significativa desde o nascimento. No Brasil, fatores como desigualdades regionais, idade materna e qualidade do pré-natal influenciam diretamente na ocorrência da malformação. Nesse cenário, compreender o perfil epidemiológico da espinha bífida é essencial para orientar políticas de prevenção, fortalecer a assistência pré-natal e reduzir as disparidades no cuidado materno-infantil. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico da espinha bífida durante o período de 2014 a 2023, em âmbito nacional, conforme as regiões, número de consultas do pré-natal e idade da mãe. METODOLOGIA: Estudo transversal, realizado mediante busca no Sistema de Informação Sobre Nascidos Vivos (SINASC) vinculado ao DATASUS referente ao período supracitado. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Entre 2014 e 2023, foram registrados 6.642 nascidos vivos com espinha bífida no Brasil. O maior número de casos ocorreu em 2016 (735), seguido de 2017 (700), mantendo-se estáveis nos anos seguintes, com discreta elevação em 2023 (665). A maioria das mães realizou sete ou mais consultas de pré-natal (67,1%), embora 8,4% tenham tido acompanhamento insuficiente, até três consultas, e 1,7% não tenha realizado nenhuma. A distribuição regional mostrou maior concentração no Sudeste (43,3%), seguido do Nordeste (29,3%) e Sul (13,6%). A faixa etária predominante foi de 20 a 34 anos (65%), especialmente entre 25 e 29 anos (24,2%). Destaca-se, contudo, a ocorrência em adolescentes (13%), incluindo com idades entre 10 e 19 anos. CONCLUSÃO: Com base nos dados coletados, é possível visualizar que a espinha bífida é um problema de saúde nos recém-nascidos do Brasil. Apesar da predominância de acompanhamento pré-natal adequado, a persistência de casos de espinha bífida em todas as regiões brasileiras, com pico em 2016 e nova elevação em 2023, reforça a necessidade de vigilância contínua e de políticas públicas de prevenção. A expressiva ocorrência entre adolescentes e em regiões historicamente mais vulneráveis evidencia desigualdades no acesso à informação e ao cuidado. Estratégias que ampliem a suplementação de ácido fólico, associadas à melhoria da qualidade do pré-natal, são fundamentais para reduzir a incidência e o impacto da malformação no país.
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Referências
1. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2024. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br
2. Spina bifida - Symptoms and causes [Internet]. Mayo Clinic. 2024. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/spina-bifida/symptoms-causes/syc-20377860?
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