REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE TERAPIAS INJETÁVEIS DE LONGA DURAÇÃO NO MANEJO DO HIV: EFICÁCIA, ADESÃO E PERSPECTIVAS CLÍNICAS.

Autores

Palavras-chave:

Fármacos Anti-HIV, Soropositividade para HIV, Cooperação e Adesão ao Tratamento, Potenciação de Longa Duração, Profilaxia Pré-Exposição

Resumo

INTRODUÇÃO: O tratamento antirretroviral (TARV) revolucionou o manejo do HIV, mas a adesão ao tratamento diário ainda representa um desafio significativo para muitas pessoas, especialmente em contextos de baixa adesão. Estima-se que, globalmente, em torno de 35% dos pacientes em tratamento antirretroviral enfrentam dificuldades de adesão. Nesse cenário, as terapias injetáveis de longa duração, como o cabotegravir e a rilpivirina, surgem como alternativas promissoras, oferecendo maior conveniência e menos estigma. OBJETIVO(S): Analisar a eficácia, adesão e impacto das terapias injetáveis de longa duração no tratamento e na prevenção do HIV.  METODOLOGIA: Foi realizada uma revisão de literatura utilizando as bases PubMed, Scopus e Web of Science, com publicações de 2019 a 2024. Utilizaram-se os descritores “Anti-HIV Agents”, “HIV Seropositivity”, “Treatment Adherence and Compliance”, “Long-Term Potentiation” e “Pre-Exposure Prophylaxis”, combinados com os operadores booleanos AND e OR. Foram inicialmente identificados 97 artigos, dos quais 12 atenderam aos critérios de inclusão. Selecionaram-se três estudos principais pela robustez metodológica e atualidade: um estudo randomizado de fase 3 (2024), um ensaio clínico multicêntrico (2023) e um estudo de coorte (2023). RESULTADOS E DISCUSSÃO: O estudo de fase 3 (2024) sobre o lenacapavir demonstrou 100% de eficácia na prevenção do HIV entre mulheres cisgênero na África Subsaariana, com aplicação semestral subcutânea, destacando-se como uma estratégia de PrEP altamente eficaz e de baixa demanda. O ensaio clínico multicêntrico (2023), com 512 adultos vivendo com HIV, comparou a administração a cada oito semanas de cabotegravir e rilpivirina, mostrando supressão viral sustentada em 96,9% dos participantes, semelhante ao grupo em TARV oral contínuo (97,3%). O estudo de coorte holandês (2023) também corroborou esses achados, evidenciando que a substituição da TARV oral por esquemas injetáveis não comprometeu a eficácia virológica e melhorou a experiência terapêutica. Essas terapias têm se mostrado eficientes, seguras e bem aceitas, com potencial para redefinir os padrões de adesão ao tratamento do HIV. No entanto, algumas limitações foram observadas: as populações estudadas foram predominantemente de países de baixa e média renda. Além disso, não há dados sobre os efeitos a longo prazo, impacto psicológico ou estigma associado ao tratamento. CONCLUSÕES: As terapias injetáveis de longa duração representam um avanço significativo no tratamento e na prevenção do HIV. A revisão dos estudos analisados revela alta eficácia, boa tolerabilidade e elevada aceitação por parte dos usuários. Contudo, é importante destacar a necessidade de monitoramento contínuo e mais estudos para avaliar potenciais desafios na implementação desses tratamentos, como a acessibilidade e os custos em contextos de diferentes realidades socioeconômicas.

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Biografia do Autor

  • Carlos Henrique Rocha Torres, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0005-1490-6983

  • Gabriel de Castro Pedrosa, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0009-7272-4693

  • Lais Góis Cabral, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0000-7433-7640

  • Gabriel Muller Soares do Nascimento, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0008-2652-6517

  • Wênia Marina Chaves Meneses, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0005-2178-0151

  • Ana Beatriz Fernandes Moreira, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0005-6393-4606

  • Áchilla Cruz Meira, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0008-0748-9802

  • Ana Clara Batista Cordeiro do Amaral, IFMSA Brazil UNIFACISA

    https://orcid.org/0009-0005-0555-631X

Referências

1. OVERTON, E. T. et al. Long-acting cabotegravir and rilpivirine dosed every 2 months in adults with HIV-1 infection (ATLAS-2M), 48-week results: a randomised, multicentre, open-label, phase 3b, non-inferiority study. The Lancet, v. 396, n. 10267, p. 1994–2005, dez. 2020.

2. JONGEN, V. W. et al. Effectiveness of bi-monthly long-acting injectable cabotegravir and rilpivirine as maintenance treatment for HIV-1 in the Netherlands: results from the Dutch ATHENA national observational cohort. The Lancet HIV, v. 12, n. 1, p. e40–e50, 1 jan. 2025.

3. BEKKER, L.-G. et al. Twice-Yearly Lenacapavir or Daily F/TAF for HIV Prevention in Cisgender Women. New England Journal of Medicine, v. 391, n. 13, 24 jul. 2024.

Publicado

2025-12-10

Como Citar

REVISÃO INTEGRATIVA SOBRE TERAPIAS INJETÁVEIS DE LONGA DURAÇÃO NO MANEJO DO HIV: EFICÁCIA, ADESÃO E PERSPECTIVAS CLÍNICAS. (2025). Anais Do Momento Científico Da IFMSA Brazil, 63(2). https://revistas.ifmsabrazil.org/eventos/article/view/1312