ASSOCIAÇÃO ENTRE O USO PROLONGADO DE BENZODIAZEPÍNICOS E O DESENVOLVIMENTO DE SÍNDROMES DEMENCIAIS: REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA.
Palavras-chave:
Benzodiazepinas, Demência, Idoso , Transtornos CognitivosResumo
INTRODUÇÃO: O uso prolongado de benzodiazepínicos (BZDs) tem sido associado a efeitos deletérios sobre a cognição, especialmente em idosos. Estudos recentes sugerem uma possível relação entre a exposição crônica a esses fármacos e o aumento do risco de desenvolvimento de síndromes demenciais. No entanto, a causalidade dessa associação ainda é objeto de discussão. Dados epidemiológicos globais e nacionais apontam para o uso elevado desses fármacos em idosos, evidenciando a necessidade de compreensão sobre os riscos à saúde mental nesta população. OBJETIVO(S): Analisar, com base na literatura recente, a associação entre o uso crônico de benzodiazepínicos e o risco de desenvolvimento de demência em idosos, explorando os mecanismos envolvidos e suas implicações clínicas. METODOLOGIA: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, considerando publicações dos últimos 8 anos (2017 a 2024). Utilizaram-se os descritores: Benzodiazepines, Dementia, Aged e Cognition Disorders, combinados com os operadores booleanos AND e OR. Foram identificados 97 artigos, dos quais 12 atenderam aos critérios de inclusão relacionados ao objetivo do trabalho. Para a análise, foram selecionados 3 estudos principais pela relevância metodológica e atualidade: um estudo de coorte (2024), um estudo retrospectivo (2023) e uma revisão sistemática com meta-análise (2017). RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os estudos analisados indicam uma possível associação entre o uso crônico de benzodiazepínicos e o risco de demência em idosos. O estudo de coorte (2024) não encontrou aumento global do risco, mas identificou alterações cerebrais em usuários de altas doses de ansiolíticos. O estudo retrospectivo (2023) observou maior incidência de demência entre idosos de 65 a 75 anos com uso prolongado, exceto entre aqueles com transtornos de ansiedade. Já a revisão sistemática (2017) encontrou uma associação significativa, com aumento relativo de até 78% no risco de desenvolvimento de demência. Apesar das diferenças metodológicas, os dados sugerem que o uso prolongado de benzodiazepínicos em altas doses pode afetar negativamente a cognição, possivelmente devido a mecanismos neurotóxicos e atrofia cerebral. A dificuldade de isolar os efeitos dos BZDs dos transtornos subjacentes, como ansiedade e insônia, é uma limitação relevante, mas não anula a importância clínica dos achados. CONCLUSÕES: O uso prolongado de benzodiazepínicos, especialmente em doses elevadas, pode estar associado ao risco aumentado de declínio cognitivo e desenvolvimento de demência. Isso reforça a necessidade de uma prescrição criteriosa de benzodiazepínicos, especialmente em populações idosas. As limitações dos estudos analisados, como a heterogeneidade metodológica e a dificuldade em separar os efeitos dos BZDs de outros fatores clínicos, devem ser consideradas em futuras investigações.
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Referências
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Copyright (c) 2025 Carlos Henrique Rocha Torres, Wênia Marina Chaves Meneses, Áchilla Cruz Meira, Ana Beatriz Fernandes Moreira, Lais Góis Cabral, Gabriel Muller Soares do Nascimento, Gabriel de Castro Pedrosa, Ana Clara Batista Cordeiro do Amaral (Autor)

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