CORRELAÇÃO ENTRE DOSE CUMULATIVA DE HIDROXICLOROQUINA E ALTERAÇÕES RETINIANAS PRECOCES NA OCT EM PACIENTES COM LÚPUS: REVISÃO DE LITERATURA.
Palavras-chave:
Hidroxicloroquina, Efeitos Adversos de Longa Duração , Lúpus Eritematoso Sistêmico, Tomografia de Coerência Óptica, Doenças RetinianasResumo
INTRODUÇÃO: A hidroxicloroquina (HCQ) é amplamente utilizada no tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES), mas seu uso prolongado pode levar à toxicidade retiniana. A dose cumulativa tem se mostrado um fator de risco importante para alterações precoces detectáveis na tomografia de coerência óptica (OCT), mesmo em pacientes assintomáticos. Identificar essas alterações de forma precoce é essencial para prevenir danos visuais permanentes. OBJETIVO(S): Avaliar a correlação entre a dose cumulativa de hidroxicloroquina e a presença de alterações precoces detectadas por tomografia de coerência óptica (OCT) em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico em uso contínuo do medicamento há pelo menos 5 anos. METODOLOGIA: Realizou-se uma revisão de literatura, e uma busca nas bases PubMed, Scopus e Web of Science foi feita, considerando publicações dos últimos 5 anos (2019 a 2024). Utilizaram-se os descritores “hydroxychloroquine”, “long term adverse effects”, “lupus erythematosus systemic”, “optical coherence tomography” e “retinal diseases”, combinados com os operadores booleanos AND e OR. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram identificados 103 artigos na busca inicial. Após aplicação dos critérios de inclusão, 3 artigos foram selecionados para análise final. Os estudos selecionados incluíam um estudo observacional prospectivo (2024), um estudo transversal multicêntrico (2023) e uma coorte retrospectiva (2022), com características metodológicas diversas. A tomografia de coerência óptica (OCT) demonstrou-se eficaz para detectar alterações precoces. No estudo observacional (2024), pacientes com dose acumulada acima de 1.000 g apresentaram afinamento nas camadas externas da retina, especialmente na região parafoveal. No estudo transversal multicêntrico (2023), a toxicidade foi associada ao uso prolongado e a fatores como idade avançada e função renal comprometida. No estudo retrospectivo (2022), pacientes assintomáticos apresentaram alterações discretas na camada nuclear externa da retina. Os resultados reforçam a importância do rastreamento precoce com OCT, mesmo em pacientes assintomáticos. A dose cumulativa de HCQ foi consistentemente associada a alterações estruturais, sugerindo que o monitoramento regular da retina deve ser uma prática clínica padrão para todos os pacientes com LES em uso prolongado de HCQ. CONCLUSÕES: A hidroxicloroquina, embora essencial no manejo do lúpus eritematoso sistêmico, apresenta risco de toxicidade retiniana relacionada à dose cumulativa e ao tempo de uso. Os estudos analisados reforçam a importância do rastreamento precoce com tomografia de coerência óptica (OCT), mesmo em pacientes assintomáticos, como forma eficaz de prevenir danos irreversíveis à visão. No entanto, uma limitação desta revisão foi a variabilidade nos métodos de avaliação e o número limitado de estudos sobre o tema.
Downloads
Referências
1. Ferreira A, Anjos R, José-Vieira R et al. Impact of cumulative dose of hydroxychloroquine on retinal structures. Graefe’s Archive for Clinical and Experimental Ophthalmology. 2024.
2. Melles RB, Jorge AM, Marmor MF, Zhou B, Conell C, Niu J, McCormick N, Zhang Y, Choi HK. Hydroxychloroquine Dose and Risk for Incident Retinopathy: A Cohort Study. Annals of Internal Medicine. 2023.
3. Retinal toxicity in a multinational inception cohort of patients with systemic lupus on hydroxychloroquine (SLICC) — 2022.
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Copyright (c) 2025 Carlos Henrique Rocha Torres, Gabriel de Castro Pedrosa, Gabriel Muller Soares do Nascimento, Wênia Marina Chaves Meneses, Áchilla Cruz Meira, Ana Beatriz Fernandes Moreira, Lais Góis Cabral, Ana Clara Batista Cordeiro do Amaral (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
As licenças de usuário definem como os leitores e o público em geral podem usar o artigo sem precisar de outras permissões. As licenças públicas do Creative Commons fornecem um conjunto padrão de termos e condições que os criadores e outros detentores de direitos podem usar para compartilhar obras originais de autoria e outros materiais sujeitos a copyright e alguns outros direitos especificados na licença pública disponível em https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR. Ao usar a 4.0 International Public License, a IFMSA Brazil concede ao público permissão para usar o material publicado sob os termos e condições especificados acordados pela revista. Ao exercer os direitos licenciados, os autores aceitam e concordam em obedecer aos termos e condições da Licença Pública Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.