ASPECTOS PSICOSSOCIAIS NOS CUIDADOS PALIATIVOS EM HOME CARE PARA PACIENTES TERMINAIS: REVISÃO INTEGRATIVA
Palavras-chave:
Cuidados Paliativos, Efeitos Psicossociais da Doença , Serviços Hospitalares de Assistência DomiciliarResumo
INTRODUÇÃO: Os cuidados paliativos são cuidados ativos e integrais destinados a pacientes com doenças incuráveis, focados no controle da dor e no suporte psicológico, social e espiritual para melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares. No Brasil, o Ministério da Saúde incorporou os cuidados paliativos na atenção domiciliar, promovendo equipes multiprofissionais e interdisciplinares para garantir atendimento integral. Essa abordagem integrada considera aspectos físicos, psicossociais e espirituais, beneficiando tanto pacientes quanto seus familiares e cuidadores. Portanto, os aspectos psicossociais são essenciais para o desenvolvimento clínico e alívio da dor em pacientes sob cuidados paliativos, especialmente em home care. OBJETIVO: Analisar os aspectos psicossociais dos pacientes terminais em cuidados paliativos, que estão em tratamento domiciliar. METODOLOGIA: A revisão integrativa iniciou com a definição do tema e a formulação da questão norteadora usando a estratégia PICO. A busca por artigos foi realizada em agosto de 2025 em bases de dados como SCOPUS, WEB OF SCIENCE, LILACS e MEDLINE (via BVS), através do Portal de Periódicos da CAPES. Foram utilizados descritores controlados (DeCS/MeSH) e palavras-chave, combinados com os operadores booleanos "OR" e “AND”. Os critérios de inclusão e exclusão foram aplicados e o número final de estudos selecionados para a análise foi de 17. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Os estudos de ensaios clínicos randomizados, com equipes multiprofissionais, evidenciaram manejo otimizado de sintomas como falta de ar, dor, ansiedade e sonolência, além do apoio psicossocial, pela sensação de segurança e pela intenção de tratar nos cuidados paliativos. Os demais estudos corroboram a ideia de que privilegiar os cuidados domiciliares são benéficos em detrimento de instituições, os que de cunho comunitários melhoram os sintomas emocionais e de comunicação nos primeiros meses e o modelo multidisciplinar domiciliar complementa serviços hospitalares, mas precisa ser fortalecido em escala, duração e diversidade de pacientes. CONCLUSÕES: A intervenção reduz sofrimento, melhora a qualidade do cuidado e é custo-efetiva, além de evidenciar a família como principal provedor de cuidado no fim da vida, porém, apresentam limitações relacionadas a capacitação de médicos e familiares e continuidade dos cuidados.
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Referências
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