PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR TRAUMATISMO INTRACRANIANO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ENTRE OS ANOS DE 2015 E 2024
Palavras-chave:
Traumatismos Cranianos Fechados, Criança, AdolescenteResumo
INTRODUÇÃO: Traumatismo intracraniano é referido a qualquer trauma em região craniana, de naturezas distintas, acometendo os tecidos cerebrais e seus vasos, com consequências que variam desde condições subclínicas até óbito. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, as principais causas incluem quedas, acidentes automobilísticos e violência. Nesse panorama, é um dos acidentes mais prevalentes no serviço de Pediatria, ocasionando sequelas diversas às vítimas e altas taxas de mortalidade. Ademais, acarreta um aumento do tempo de internação e dos custos hospitalares. Assim, nota-se a importância de um estudo epidemiológico para o desenvolvimento de estratégias, a fim de aprimorar a assistência às vítimas de traumatismo intracraniano. OBJETIVO: Analisar a taxa das internações por traumatismo intracraniano em pacientes pediátricos por região geográfica entre os anos de 2015 e 2024. METODOLOGIA: Estudo transversal realizado mediante coleta de dados no Sistema de Informação Hospitalares do SUS (SIH/SUS) vinculado ao DATASUS, comparando as internações conforme a faixa etária, região, sexo, caráter do atendimento e taxa de mortalidade, no período referido. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Foram registradas 208.053 internações por traumatismo intracraniano pediátrico no Brasil entre 2015 e 2024. Os adolescentes de 15 a 19 anos foram os mais afetados, representando 32,2%, seguidos pelas crianças de 1 a 4 anos (22,7%). A análise por sexo mostrou predominância masculina (67,2%), evidenciando maior vulnerabilidade dos meninos e adolescentes homens, sobretudo em acidentes de trânsito e situações de urgência, que corresponderam a 88,6% dos atendimentos. Regionalmente, o Sudeste concentrou 38,4% das hospitalizações, seguido pelo Nordeste (26,8%), refletindo tanto a distribuição populacional quanto desigualdades de risco. Apesar da redução de aproximadamente 26% no número de internações entre 2015 e 2024, a mortalidade hospitalar manteve-se relevante, com taxa geral de 3,28%. Adolescentes de 15 a 19 anos apresentaram a maior letalidade (6,9%), mais que o dobro da média total. Observou-se, ainda, queda gradual da mortalidade ao longo dos anos, com estabilização em torno de 2,8% nos últimos dois anos avaliados. Tais achados reforçam a importância de estratégias preventivas voltadas aos grupos mais vulneráveis, em especial adolescentes, bem como de investimentos em políticas públicas para reduzir a gravidade e as consequências dos traumatismos cranianos nessa faixa etária. CONCLUSÃO: As internações por traumatismo intracraniano em crianças e adolescentes diminuíram ao longo dos anos, mas ainda afetam principalmente meninos, sobretudo na adolescência. A persistência de óbitos evitáveis evidencia a urgência de fortalecer ações de prevenção, especialmente voltadas à segurança no trânsito e à redução da violência. Políticas públicas específicas, integradas à rede de atenção hospitalar e de urgência, são fundamentais, garantindo cuidados oportunos e minimizar sequelas.
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Referências
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