RELAÇÃO ENTRE A SELETIVIDADE ALIMENTAR E DEFICIÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Palavras-chave:
Seletividade Alimentar, Deficiência de Micronutrientes, Transtorno do Espectro AutistaResumo
INTRODUÇÃO: O Transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento do indivíduo, interferindo na capacidade de comunicação, linguagem, interação social e comportamento. Entre suas manifestações, destacam-se os hábitos repetitivos e restritivos, principalmente nos padrões alimentares, que podem ocasionar deficiências nutricionais. O comportamento alimentar geralmente se apresenta com seletividade em função da textura, cor, sabor, temperatura e odor resultando em maior propensão a desequilíbrios nutricionais. OBJETIVO: Avaliar a deficiência de micronutrientes causada pela seletividade alimentar em crianças com TEA. METODOLOGIA: Foi realizada uma busca na base PubMed utilizando os descritores (autism spectrum disorder) AND (food selectivity) AND (nutritional deficiencies). Dessa pesquisa, aplicaram-se filtros para selecionar artigos publicados entre 2020 e 2025 e disponíveis em texto completo gratuito. Dos 27 artigos inicialmente identificados, sete foram incluídos por se adequarem ao escopo da pesquisa. RESULTADOS E DISCUSSÃO: De acordo com os artigos analisados, observa-se que pacientes com TEA apresentam maior ocorrência de seletividade alimentar. Sabe-se que a seletividade alimentar pode ocorrer por hipo ou hipersensibilidade, alimentos cárneos são frequentemente rejeitados devido ao seu aspecto e textura, e a ingestão de foliáceas é insuficiente, favorecendo a disbiose. Em contrapartida, os alimentos industrializados são preferencialmente consumidos. Como consequência, observa-se uma predisposição à deficiência de micronutrientes - vitaminas D, A, C e complexo B, folato, cálcio, iodo, ferro, selênio e biotina - sendo comum a deficiência simultânea de dois ou mais nutrientes. Além da deficiência de micronutrientes, sintomas do trato gastrointestinal são frequentes e estudos demonstram diferenças na microbiota intestinal em pacientes com TEA, com redução de bactérias benéficas (e.g. Bifidobacterium), ao passo que bactérias patogênicas (e.g. Desulfovibrio e Clostridia) estão aumentadas. CONCLUSÃO: Considerando que a interação entre vitaminas e minerais é crucial para o crescimento e desenvolvimento infantil, a presença da seletividade alimentar ocasiona desequilíbrio nutricional, ao passo que o consumo amplo de alimentos industrializados por pacientes com TEA em detrimento de vegetais e alimentos de origem animal acentua a deficiência desses micronutrientes. Além disso, entende-se que as alterações na diversidade da microbiota observadas em pacientes com TEA sugerem papel relevante na manifestação de sintomas do TGI, reforçando a necessidade de estratégias nutricionais e terapêuticas direcionadas.
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