MORTALIDADE POR TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS ATRIBUÍVEIS AO USO DE ÁLCOOL NO BRASIL: ESTUDO ECOLÓGICO, 2019‑2023
Palavras-chave:
Saúde Pública, Mortalidade, Transtornos MentaisResumo
INTRODUÇÃO: Transtornos mentais e comportamentais por uso de álcool ocorre pela utilização dessa substância de forma a alterar o estado psicológico do indivíduo, como humor, o nível de percepção ou o funcionamento cerebral. No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais associados ao uso de álcool configura um relevante problema de saúde pública, evidenciado pelos aproximadamente 400 mil atendimentos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2021 e pelas 423 mil internações hospitalares notificadas no período de 2010 a 2020. OBJETIVO: Analisar os índices de mortalidade sob uso nocivo de álcool no Brasil no período de 2019 a 2023. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo ecológico, observacional e retrospectivo, realizado a partir dos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, referentes a óbitos por transtornos mentais e comportamentais atribuíveis ao uso de álcool (CID-10: F10). As estimativas populacionais foram obtidas da Projeção da População das Unidades da Federação (2010 – 2060, edição 2018) do IBGE. Foram analisados os óbitos ocorridos entre 2019 e 2023, estratificados por faixa etária, sexo, cor/etnia e região geográfica do Brasil. O coeficiente de mortalidade foi calculado pela razão entre o número de óbitos e a população total, multiplicada por 100.000. A análise dos dados foi realizada no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), adotando-se nível de significância de 5% (p < 0,05). Foram calculadas taxas de mortalidade simples por mil habitantes, considerando variáveis epidemiológicas como região, sexo e faixa etária. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram registrados 39.980 óbitos no período analisado, com destaque para o aumento de 49% entre 2019 e 2020 na região Nordeste, possivelmente relacionado aos impactos da pandemia de Covid-19. A região Sudeste concentrou 36,85% do total de casos, resultado atribuído ao maior contingente populacional e à elevada notificação de óbitos. Quanto à faixa etária, o maior número de registros ocorreu entre indivíduos de 50 a 59 anos (30,5%; p <0,05; IC: 95%), faixa etária em que complicações associadas ao uso crônico e abusivo do álcool, como cirrose hepática, podem contribuir para a maior mortalidade observada. O sexo masculino concentrou 90,8% (p <0,05; IC: 95%) dos óbitos. Em relação à raça/cor, predominaram indivíduos pardos (50,77%; p <0,05; IC: 95%), seguidos pelos brancos (32,27%; p 0,652; IC: 95%). Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas e programas direcionados prioritariamente à população masculina, considerando sua maior vulnerabilidade e o elevado impacto do uso nocivo de álcool na morbimortalidade. CONCLUSÕES: A elevada mortalidade entre homens pardos, residentes da região sudeste e com idade entre 50 a 59 anos pode estar associada ao consumo crônico e abusivo de álcool, aliado a hábitos de vida inadequados, que favorecem o desenvolvimento de agravos como cirrose hepática, hepatite, demência e transtornos comportamentais.
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