A DESREGULAÇÃO NEUROENDÓCRINA COMO MEDIADORA DA RELAÇÃO ENTRE PRIVAÇÃO DO SONO E COMPULSÃO ALIMENTAR EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Palavras-chave:
Privação do Sono, Transtorno da Compulsão Alimentar, Sistema NeurossecretoresResumo
INTRODUÇÃO: Nos últimos anos, a privação do sono tem se mostrado um problema crescente, especialmente entre estudantes universitários. Esse quadro associa-se a alterações metabólicas e comportamentais, como fome aumentada, escolhas alimentares de baixa qualidade e compulsão. A desregulação neuroendócrina aparece como elo central nesse processo, destacando a importância de compreender seus efeitos para o desenvolvimento de estratégias de promoção da saúde nesse público. OBJETIVO: Analisar a desregulação neuroendócrina como mediadora entre privação do sono e compulsão alimentar em estudantes universitários. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura de artigos encontrados através das bases de dados PubMed, Scielo, Lilacs e Web of Science, a partir dos descritores "Sleep Deprivation", "Neuroendocrine System","Hormonal Dysregulation”, "Ghrelin", "Leptin", "Cortisol", "Binge-eating Disorder" e "Disordered Eating", validados no DeCS e combinados pelos operadores booleanos “AND” e “OR”. A busca inicial identificou 1.504 artigos, dos quais 190 atenderam a filtros de idioma (inglês e espanhol), texto completo e recorte temporal (últimos cinco anos). Após análise dos títulos, 13 estudos foram selecionados para compor a revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os estudos apontam que a privação de sono é comum em populações de jovens estudantes e desencadeia uma cascata de desregulações hormonais e comportamentais. A restrição do sono predispõe o aumento de grelina (fome) e a diminuição de leptina (saciedade). Contudo, a literatura aponta que os níveis de grelina podem apresentar redução ao despertar, o que pode justificar o hábito de abstenção do desjejum. Essa desregulação hormonal, somada à sensibilidade à insulina favorece o aumento da ingestão energética e a preferência por alimentos hiperpalatáveis e hipercalóricos. Ademais, o humor é significativamente alterado, com aumento da tensão, raiva, depressão e ansiedade. Consequentemente, indivíduos com sono de curta duração ou de má qualidade apresentam menor adesão a dietas saudáveis e refeições regulares, o que, somado às alterações de humor, pode favorecer a compulsão alimentar e o ganho de peso a longo prazo. CONCLUSÕES: Portanto, nota- se que o sono insuficiente atua como mediador fundamental entre a desregulação neuroendócrina e a alimentação inadequada. Além disso, alterações no humor, como aumento da irritabilidade e ansiedade, revelam-se como fatores agravantes que potencializam a má qualidade do sono e os comportamentos alimentares compulsivos. Logo, o estudo mostrou a importância de se promover ações que incentivem a higiene do sono, hábito essencial à saúde de estudantes universitários, pois ordena o ciclo circadiano e as liberações hormonais.
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