PREVALÊNCIA DOS TRANSTORNOS MENTAIS RELACIONADOS AO TRABALHO NO ESTADO DE MINAS GERAIS: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Vigilância em Saúde do Trabalhador, Epidemiologia, Transtornos MentaisResumo
INTRODUÇÃO: Os transtornos mentais relacionados ao trabalho (TMRT) resultam de múltiplos fatores nas condições e processos laborais. Esses problemas decorrem da interação de riscos psicossociais, como organização do trabalho, divisão de tarefas, ritmo produtivo, políticas de gestão de pessoas e estrutura hierárquica. Além disso, a exposição a substâncias químicas, como metais pesados e solventes, também contribui para esses agravos. Esses transtornos são a segunda maior causa de doenças ocupacionais, abrangendo desde a exposição a agentes tóxicos até questões estruturais do ambiente laboral, gerando impactos psicossociais significativos. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos TMRT notificados em Minas Gerais entre 2015 e 2024. METODOLOGIA: Foi realizado um estudo epidemiológico observacional descritivo de corte transversal, com abordagem quantitativa, utilizando dados secundários de domínio público do DATASUS, na seção “Epidemiológicas e Morbidades - Doenças e Agravos de Notificação (SINAN)”, referentes aos casos de TMRT em Minas Gerais de 2015 a 2024. As variáveis analisadas incluíram aspectos sociodemográficos, como sexo, faixa etária, raça/cor, tempo de exposição a fatores de risco laborais, uso de drogas psicoativas, tabaco, álcool, evolução dos casos e medidas de proteção coletiva e individual. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No período analisado, foram notificados 4.480 casos em Minas Gerais, com predomínio do sexo feminino (66%). Observou-se maior prevalência na faixa etária de 30 anos ou mais (80,66%) e na raça branca (41,74%). Quanto ao tempo de exposição aos fatores de risco, 38,28% dos casos estão ligados à exposição crônica. O uso de álcool, drogas psicoativas e tabaco foi registrado em 7,32%, 2,85% e 5,83% dos casos, respectivamente. Medidas de proteção individual e coletiva foram adotadas em apenas 9,82% e 6,42% dos casos, respectivamente, evidenciando falhas na prevenção. A incapacidade temporária foi o principal desfecho (59,60%), indicando um impacto na saúde mental e física dos trabalhadores, frequentemente associado a comorbidades como diabetes e doenças cardiovasculares. Estas condições reduzem a qualidade de vida e afetam o desempenho pessoal, familiar, ocupacional, emocional e social. A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ocorreu em apenas 35,75% dos casos, sugerindo subnotificação. CONCLUSÕES: O aumento de afastamentos, absenteísmo, conflitos interpessoais e dependência de substâncias devido aos transtornos mentais relacionados ao trabalho destaca a urgência de fortalecer intervenções preventivas e assistenciais, visando reduzir os prejuízos causados por esses transtornos e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A maior prevalência no sexo feminino revela uma problemática de gênero e a subnotificação compromete a análise da real prevalência, mascarando a gravidade do problema, e impactando a saúde ocupacional.
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Referências
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