EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL POR MEIO DO FORRÓ: AÇÕES COM IDOSOS USUÁRIOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL NO NORDESTE
Palavras-chave:
Humanização da Assistência, Integração Intersetorial, Assistência PsicossocialResumo
INTRODUÇÃO: A extensão universitária, como diretriz da formação médica, tem se consolidado como ferramenta estratégica para a aproximação entre estudantes e territórios vulneráveis. Entre os temas prioritários, o cuidado em saúde mental na comunidade exige abordagens intersetoriais e culturalmente sensíveis, especialmente quando se trata de populações idosas em situação de vulnerabilidade social. Neste contexto, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) assumem papel relevante na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), ao oferecerem suporte psicossocial e promoverem ações coletivas que favorecem o bem-estar. A vivência relatada neste trabalho foi desenvolvida no âmbito de um módulo extensionista de caráter curricular, com foco na saúde mental da pessoa idosa. Considerando que o envelhecimento pode estar associado a perdas funcionais e isolamento social, buscou-se utilizar o forró, expressão cultural nordestina, como ferramenta terapêutica e promotora de vínculos, identidade e qualidade de vida. Assim, foi realizada uma intervenção lúdico-educativa, com base nos princípios da humanização e da integralidade do cuidado. OBJETIVO: Relatar uma experiência de extensão universitária voltada à promoção da saúde mental entre idosos em vulnerabilidade social, por meio de uma intervenção baseada no forró. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Após visita prévia ao CRAS e em diálogo com sua equipe técnica, os estudantes organizaram uma ação extensionista voltada para o grupo de idosos. Realizada em abril de 2025, a atividade incluiu acolhida, roda de conversa sobre saúde mental, quadrilha improvisada, músicas regionais e lanche com comidas típicas. A ação buscou estimular o bem-estar emocional, fortalecer os vínculos afetivos e proporcionar vivências significativas ao grupo. Também visou possibilitar aos discentes a aplicação prática de competências como escuta ativa e humanização e o fortalecimento do elo com a comunidade, conforme propõe a disciplina. REFLEXÃO DA EXPERIÊNCIA: O público-alvo, composto por idosos em situação de vulnerabilidade social, muitos com dificuldades de locomoção e rede de apoio social limitada, expressou participação ativa e entusiasmada. Demonstraram forte vínculo afetivo com o forró, ritmo tradicional que evoca memórias afetivas e reforça a identidade cultural nordestina. O questionário aplicado ao final da atividade revelou que 90% dos participantes se sentiram muito beneficiados, todos consideraram a ação relevante para a comunidade e 50% relataram não ter acesso a iniciativas semelhantes. Todos manifestaram desejo de participar novamente. As principais dificuldades foram o receio quanto à adesão inicial do público e os recursos financeiros limitados, superados por meio de planejamento colaborativo e apoio da equipe do CRAS. CONCLUSÕES: A atividade demonstrou o potencial da cultura como promotora de saúde e a importância da extensão na formação médica.
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