TRANSTORNOS MENTAIS RELACIONADOS AO TRABALHO NA REGIÃO CENTRO-OESTE DO BRASIL: PERFIL EPIDEMIOLÓGICO ENTRE 2015 E 2024
Palavras-chave:
Epidemiologia, Saúde Mental, Saúde OcupacionalResumo
INTRODUÇÃO: A saúde mental da população economicamente ativa no Brasil é uma preocupação crescente, com o ambiente de trabalho e fatores como estresse e sobrecarga contribuindo para o surgimento de transtornos. A notificação desses agravos é crucial para a vigilância epidemiológica e a identificação de riscos ocupacionais. Este estudo analisa o perfil epidemiológico dos transtornos mentais relacionados ao trabalho na Região Centro-Oeste, uma área com escassez de dados, visando fornecer informações para a gestão em saúde e a formulação de políticas públicas. OBJETIVOS: Descrever o perfil epidemiológico dos transtornos mentais relacionados ao trabalho na Região Centro-Oeste do Brasil, no período de 2015 a 2024, subsidiando reflexões sobre o impacto desses agravos na saúde do trabalhador. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), ambos do DATASUS. Foram coletadas notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho entre 2015 e 2024 na Região Centro-Oeste, com análise das variáveis sociodemográficas (sexo, faixa etária), dos diagnósticos específicos (CID-10) e da evolução dos casos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre 2015 e 2024, a Região Centro-Oeste registrou 1.063 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho. O estado de Mato Grosso do Sul concentrou a maioria dos casos, totalizando 763 notificações (71,78%), enquanto o estado de Mato Grosso apresentou a menor prevalência, com 58 notificações. A análise demográfica regional evidenciou a predominância do sexo feminino (77,31%) e a maior incidência em trabalhadores de 35 a 49 anos (49,48%). Em relação aos diagnósticos, os transtornos neuróticos e relacionados ao estresse (F40–F48) foram os mais frequentes, com 37,55% das notificações, seguidos pelos transtornos do humor (F30–F39), com 25,13%. A síndrome de Burnout (Z73.0) representou 4,42% dos registros. A evolução mais comum foi a incapacidade temporária (50,42%), embora também tenham sido notificados casos de incapacidade permanente (4,98%) e óbitos (0,28%). O alto percentual de dados não preenchidos, como diagnósticos sem CID e evoluções ignoradas, sugere fragilidades nos sistemas de notificação que limitam análises mais refinadas. CONCLUSÕES: O estudo caracterizou o perfil epidemiológico dos transtornos mentais relacionados ao trabalho na Região Centro-Oeste, revelando que a maior incidência ocorre em mulheres e em trabalhadores adultos em idade economicamente ativa, com predominância de diagnósticos ligados ao estresse ocupacional. Os achados demonstram o impacto significativo desses agravos na capacidade laboral, evidenciado pela alta taxa de incapacidade temporária.
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Referências
1. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [citado 2025 set 18]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinannet/cnv/.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [citado 2025 set 18]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/.
3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-10. 10ª revisão. São Paulo: Edusp; 2008.
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