PADRÕES DE MORTALIDADE POR ESQUIZOFRENIA NO BRASIL ENTRE 2019 E 2023: ESTUDO ECOLÓGICO
Palavras-chave:
Esquizofrenia, Trantornos Mentais, MortalidadeResumo
INTRODUÇÃO: A esquizofrenia é um transtorno mental responsável por comprometer os pensamentos, emoções e comportamentos do indivíduo. Caracterizada como transtorno psiquiátrico crônico, sendo as alucinações e delírios os sintomas mais evidentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que cerca de 23 milhões de pessoas no mundo possuem o diagnóstico de esquizofrenia, no Brasil pessoas com esse transtorno possuem risco relativo de mortalidade 27% maior que a população geral. OBJETIVO: Analisar a taxa de mortalidade em decorrência do transtorno esquizofrênico no Brasil entre 2019 a 2023. METODOLOGIA: Foi realizado um estudo ecológico, observacional e retrospectivo a partir de dados secundários disponíveis no TabNet/DATASUS. As informações sobre mortalidade foram extraídas do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), utilizando a Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão (CID-10), código F20 (esquizofrenia). Os dados populacionais foram obtidos das Projeções da População das Unidades da Federação (2010 - 2060, edição 2018, IBGE). Foram calculadas taxas de mortalidade específicas por 100.000 habitantes, ajustadas pela população de referência. As variáveis analisadas incluíram sexo, faixa etária, raça/cor, região geográfica e ano de ocorrência. As associações foram avaliadas pelos testes Qui-quadrado (χ²) e Exato de Fisher, quando aplicável, utilizando o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20. Valores de p < 0,05 foram considerados significativos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre 2019 e 2023, a mortalidade por esquizofrenia no Brasil representou 4,68% do total de óbitos registrados com a CID-10 F20, com crescimento progressivo até 2022 e redução de aproximadamente 9,4% em 2023. O Sudeste concentrou o maior número de mortes (2,2%; p=0,141), enquanto o Sul apresentou a maior taxa proporcional, com menor oscilação no período. Houve predomínio de óbitos em homens (59,2%; p <0,05), confirmando maior vulnerabilidade masculina, especialmente por causas externas e comorbidades. As faixas etárias mais acometidas foram de 50 a 69 anos (47,47%; p <0,05), sugerindo impacto cumulativo da doença. Em relação à cor/raça, brancos representaram a maioria dos óbitos (55,45; p<0,005 mas subnotificação em negros e indígenas pode ocultar desigualdades no acesso a diagnóstico e tratamento. A tendência crescente de mortalidade reforça evidências de expectativa de vida reduzida e a necessidade de estratégias de cuidado equitativas. CONCLUSÃO: Os achados evidenciam mortalidade por esquizofrenia predominante entre homens, adultos de meia-idade e idosos, com maior concentração na Região Sudeste. Há indicativos de subnotificação em negros e indígenas, reforçando a necessidade de registros aprimorados e políticas públicas equitativas. Diante do caráter crônico e incapacitante do transtorno, são essenciais estratégias de prevenção secundária e acompanhamento contínuo para reduzir a mortalidade precoce e melhorar a qualidade de vida.
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Referências
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