RASTREAMENTO DE CÂNCER DE MAMA POR MAMOGRAFIA ENTRE 2015 E 2024 EM MULHERES DE 40 A 69 ANOS NO NORDESTE

Autores

Palavras-chave:

Neoplasias da Mama, Programas de Rastreamento, Mamografia

Resumo

INTRODUÇÃO: O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente em mulheres no Brasil. Em 2015, o Ministério da Saúde (MS) publicou as Diretrizes Nacionais para a Detecção Precoce do Câncer de Mama, no documento, a mamografia foi consolidada como o método de escolha para o rastreamento em mulheres com idade entre 50 e 69 anos, sendo indicada a realização do exame a cada dois anos. Para mulheres situadas em outras faixas etárias, o rastreio mamográfico não é recomendado de forma rotineira. Em contrapartida, a Sociedade Brasileira de Mastologia, em 2025, enfatizou a importância da mamografia a partir dos 40 anos para a detecção dos estágios iniciais do câncer de mama, indispensável para o melhor prognóstico. OBJETIVO: Analisar dados do DATASUS, acerca do rastreamento mamográfico feminino nos estados do Nordeste do Brasil, entre as idades de 40 a 69 anos, investigando a tendência temporal e de faixa etária. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, realizado a partir de dados do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) da plataforma DATASUS. Foram incluídos os exames de mamografia em mulheres de 40 a 69 anos, residentes na região Nordeste do Brasil, no período de 2015 a 2024. As variáveis analisadas foram: ano do exame, faixa etária (40–49, 50–59 e 60–69 anos) e exames com laudo BI-RADS 4,5 e 6. Os dados foram organizados em planilhas no software Microsoft Excel® 2025,permitindo análise descritiva da tendência temporal e comparativa entre faixas etárias. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Entre 2015 e 2024 foram realizados 5.841.682 exames de mamografia em mulheres de 40 a 69 anos no Nordeste brasileiro, com crescimento de aproximadamente 99% no período. Do total, 32,2% (n=1.883.185) ocorreram em 40–49 anos, 42,7% (n=2.497.323) em 50–59 e 25% (n=1.461.174) em 60–69, com maior concentração na faixa de 50–59 anos, em consonância com o protocolo do MS, que prioriza o rastreamento a partir dos 50. Entretanto, as taxas de detecção de achados suspeitos (BIRADS 4–6) foram semelhantes: 0,96% (n=18.148) em 40–49 anos, 0,97% (n=24.177) em 50–59 e 1,11% (n=16.165) em 60–69, sugerindo que mulheres mais jovens apresentam risco detectável comparável às faixas prioritárias. CONCLUSÃO: Nos últimos dez anos, observou-se crescimento expressivo da realização de mamografias no Nordeste, acompanhado de aumento proporcional na detecção de casos suspeitos. Embora a maior concentração de exames tenha ocorrido em mulheres de 50–59 anos, as taxas de achados suspeitos (BIRADS 4–6) foram semelhantes entre as faixas etárias. Destaca-se que mulheres de 40–49 anos apresentaram taxas compatíveis às demais, reforçando a relevância do rastreamento precoce e a necessidade de novos estudos para possível revisão do protocolo vigente visto que uma detecção precoce contribui para um prognóstico final bom da doença. 

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Biografia do Autor

  • Vitor Martins, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0009-0008-9277-1959

  • Lorena de Menezes, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0009-0000-6267-8288

  • Ana Souza, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0009-0007-4888-5855

  • Chiara Santana, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0009-0002-4435-4161

  • Pedro Chaves, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0000-0002-4464-9173

  • Ana Santana, IFMSA Brazil UFS

    https://orcid.org/0009-0004-0595-0846

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Publicado

2025-12-10

Como Citar

RASTREAMENTO DE CÂNCER DE MAMA POR MAMOGRAFIA ENTRE 2015 E 2024 EM MULHERES DE 40 A 69 ANOS NO NORDESTE. (2025). Anais Do Momento Científico Da IFMSA Brazil, 63(2). https://revistas.ifmsabrazil.org/eventos/article/view/1217