ALTERAÇÕES DA MICROBIOTA INTESTINAL E SUA ASSOCIAÇÃO COM A PROGRESSÃO DE DOENÇAS CRÔNICAS EM IDOSOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Palavras-chave:
Idosos, Inflamação, DisbioseResumo
INTRODUÇÃO: O processo de envelhecimento suscita alterações fisiológicas que afetam a microbiota intestinal, diminuindo a estabilidade, condição conhecida clinicamente como disbiose. Esse desequilíbrio promove maior permeabilidade do intestino, inflamação crônica de baixo grau e desregulação imunológica. Alterações destes tipos têm sido relacionadas a doenças crônicas prevalentes em idosos, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. Considerando o panorama do envelhecimento da população, analisar essa relação é basal para promover estratégias terapêuticas e preventivas bem-sucedidas. OBJETIVO: Avaliar a relação entre mudanças fisiológicas na microbiota intestinal e a progressão de doenças crônicas na população idosa. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme as recomendações do protocolo PRISMA. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, BVS e Cochrane, utilizando os descritores “Elderly AND intestinal microbiota AND chronic diseases”, com recorte temporal de 2020 a 2025. Foram incluídos estudos com indivíduos ≥60 anos que relacionassem a microbiota intestinal a doenças crônicas. Excluíram-se duplicatas, artigos anteriores a 2020, de acesso restrito e aqueles com amostras populacionais <50 anos. Os dados coletados incluíram características da amostra, métodos de análise da microbiota e principais desfechos clínicos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram inicialmente identificados 98 artigos, destes, 10 atenderam aos critérios de elegibilidade. Os estudos incluídos empregaram análises de genes, sequenciamento e marcadores inflamatórios. Observou-se associação entre disbiose e elevação de marcadores inflamatórios, resistência à insulina, declínio cognitivo e agudização de doenças metabólicas. Os idosos com microbiota preservada apresentaram melhor prognóstico clínico. Evidenciou-se a influência de fatores ambientais e hábitos de vida, a exemplo da dieta pobre em fibras, sedentarismo e polifarmácia. Intervenções por probióticos, dietas específicas e transplante de microbiota fecal mostraram potencial terapêutico, embora necessitem de maior padronização técnica e validação sistemática. A heterogeneidade dos estudos limita a generalização, contudo, a consistência dos achados reforça a relevância clínica do tema. CONCLUSÕES: As alterações na microbiota intestinal estão intrinsecamente ligadas à progressão de doenças crônicas em idosos, favorecendo inflamação cronificada, disfunção imunometabólica. Estratégias de modulação da microbiota representam opções promissoras na prevenção e manejo, necessitando ser investigadas em ensaios clínicos robustos e direcionadas a abordagens personalizadas para a população idosa.
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