ANÁLISE DAS INTERNAÇÕES HOSPITALARES EM POPULAÇÃO PEDIÁTRICA INDÍGENA, 2019 A 2024
Palavras-chave:
Epidemiologia, População Indígena, Saúde da CriançaResumo
INTRODUÇÃO: Os indicadores de saúde da Região Norte mostram fragilidades, especialmente em Roraima, onde crianças indígenas enfrentam dificuldades no acesso a serviços preventivos, desigualdades socioeconômicas e insegurança alimentar. A sobrecarga hospitalar e a falta de assistência adaptada contribuem para alta ocorrência de doenças, reforçando a necessidade de monitorar os principais agravos para orientar estratégias de cuidado e reduzir a mortalidade desse grupo. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos principais agravos que acometem a população pediátrica indígena no estado de Roraima, no período de 2019 a 2024. METODOLOGIA: Estudo ecológico, descritivo com dados secundários do SIH/SUS (DATASUS) sobre internações de crianças indígenas (≤14 anos) em Roraima, entre 2019 e 2024. Foram analisadas variáveis como sexo, faixa etária, raça, ano e diagnósticos (CID-10). Por utilizar dados públicos, a pesquisa está dispensada de aprovação ética (Resolução CNS nº 510/2016). RESULTADOS e DISCUSSÃO: Entre 2019 a 2024, foram registradas 7.866 internações de crianças indígenas menores de 14 anos em Roraima. O ano de 2023 apresentou o maior índice de internação, concentrando 25,8% (n=2.033) do total, enquanto em 2020 registrou-se a menor parcela, com 8,4% (n=665). Observa-se, ainda, proporção entre os sexos semelhante, com discreto predomínio masculino (51,6%; n=4.063). As maiores taxas de hospitalizações foram observadas nos menores de 1 ano, sendo 44,2% do total (n=3.477), seguida de 31,4% de crianças entre 1 a 4 anos (n=2.474), enquanto entre 5 e 9 anos ocorreram menos internações (11,9%; n=939). A elevada proporção de internações em menores de 1 ano reforça a necessidade de maior atenção às condições de saúde infantil, já que este grupo etário apresenta maior suscetibilidade a problemas de saúde. Quanto aos principais diagnósticos, destacaram-se as doenças do aparelho respiratório (35,6%; n=2.808), especialmente pneumonia e bronquiolite, seguidas pelas doenças infecciosas e parasitárias (20,8%; n=1.638), como diarreia e gastroenterite, e pelas doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (5,7%; n=453), principalmente a desnutrição. Esse perfil diagnóstico reforça o peso das condições evitáveis e relacionadas ao contexto socioeconômico, semelhante ao descrito em outras regiões amazônicas com indígenas. Quanto ao atendimento, internações de urgência representam 96,5% (n=7593) enquanto apenas 3,4% (n=273) foram eletivas, sugerindo fragilidades na atenção primária que dificultam a prevenção e o manejo precoce. CONCLUSÕES: O perfil epidemiológico mostra maior ocorrência de internações em meninos, menores de 1 ano e por doenças respiratórias, sobretudo em caráter de urgência. Esses achados refletem determinantes sociais e limitações estruturais no atendimento às populações indígenas, reforçando a necessidade de ações preventivas, diagnóstico precoce e cuidado contínuo para redução das vulnerabilidades e melhoria da atenção à saúde infantil.
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Referências
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