ESTRATÉGIAS PARA A PROTEÇÃO SOLAR DOS TRABALHADORES RURAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Neoplasias Cutâneas, Trabalhadores Rurais, Prevenção PrimáriaResumo
INTRODUÇÃO: A exposição solar ocupacional prolongada representa um fator de risco relevante para danos cutâneos, especialmente em trabalhadores rurais. A radiação ultravioleta (UV) é a principal causadora de mutações celulares e malignização cutânea, sendo composta por luz visível, radiação infravermelha e UV. O câncer de pele não melanoma é o mais incidente no Brasil, correspondendo a 31,3% de todos os tumores malignos registrados, com estimativa de 220.490 novos casos anuais para o triênio 2023-2025. A região Sul apresenta maior vulnerabilidade devido aos elevados índices de radiação UV, com valores frequentemente acima de 11 no Índice Ultravioleta (considerados de dano extremo), e maior prevalência de câncer de pele comparada a outras regiões. Aspectos históricos como a imigração europeia e a predominância da atividade agrícola desde a infância também contribuem para intensificar a exposição solar prolongada nessa população. OBJETIVO: Descrever a realização e avaliar o impacto de uma intervenção educativa voltada à conscientização sobre os riscos da exposição solar prolongada e às estratégias de fotoproteção entre trabalhadores rurais de uma cooperativa local, promovendo o conhecimento e a adoção de medidas preventivas para a redução dos riscos de câncer de pele. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Este relato descreve uma intervenção educativa realizada por acadêmicas de Medicina junto a 22 agricultores de uma cooperativa local. A atividade foi desenvolvida no período vespertino e incluiu palestras informativas sobre os riscos da exposição solar e câncer de pele, demonstrações práticas sobre a aplicação correta do protetor solar e distribuição de materiais educativos. Foi aplicado um questionário para avaliar conhecimentos sobre exposição solar, uso de fotoproteção e disposição para adoção de medidas preventivas. A intervenção abordou conceitos sobre radiação UV, fotoproteção adequada, importância do uso regular de protetor solar e outras medidas de proteção individual. REFLEXÃO DA EXPERIÊNCIA: A avaliação evidenciou que 63,63% dos participantes trabalham expostos ao sol por longos períodos, sendo preocupante pois 31,82% já sofreu as consequências dessas atividades e somente 50% afirma aplicá-lo corretamente. A falta de compreensão da aplicação adequada de protetores solares surge como um ponto de grande utilidade nessa experiência para os trabalhadores, visto que 72,73% das participantes consideram bom seu conhecimento acerca dos malefícios da exposição solar prolongada e 90,91% compreendem os benefícios da proteção correta. Após a intervenção, 86,36% dos participantes demonstraram maior disposição para adotar medidas de prevenção adicionais, evidenciando o impacto positivo da ação educativa. CONCLUSÕES: A intervenção educativa demonstrou eficácia na sensibilização dos trabalhadores rurais sobre os riscos da exposição solar desprotegida e a importância da fotoproteção regular. Os resultados reforçam a relevância de estratégias educativas direcionadas para a redução dos riscos de câncer de pele nessa população específica.
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