IMPACTO DA NOVA LINHA DE CUIDADO PARA INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO EM GOIÁS: UM ESTUDO DE SÉRIES TEMPORAIS INTERROMPIDAS
Palavras-chave:
Infarto do Miocárdio, Estudos de Séries Temporais, Modelos Epidemiológicos, Interpretação Estatística de Dados, Política de SaúdeResumo
INTRODUÇÃO: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é caracterizado por uma lesão aguda do músculo cardíaco devido à redução crítica do suprimento sanguíneo. O diagnóstico precoce e o manejo eficaz são cruciais para a sobrevida dos pacientes. No Brasil, com o intuito de padronizar e qualificar a assistência em saúde, foi lançada, no final do ano de 2021, a Linha de Cuidado do IAM, para promover a integração de ações assistenciais dentro do SUS (Sistema Único de Saúde). Diante desse panorama, o estado de Goiás revela um recorte característico do quadro epidemiológico em questão, uma vez que, no período entre 2019 e 2023, – sob o espectro temporal de implementação do novo protocolo de manejo –, com base em dados públicos hospitalares, foram registradas 28.723 internações. À luz dessa observação, estudos que comparem quantitativamente os dois momentos temporais (anterior e o atual da linha de cuidado) configuram-se como de grande relevância. OBJETIVO: Analisar o impacto da implementação do novo protocolo assistencial para IAM no estado de Goiás, comparando internações, tempo de permanência hospitalar e a taxa de mortalidade entre os períodos de 2019–2021 e 2022–2024. METODOLOGIA: Trata-se de uma análise de séries temporais interrompidas, com dados extraídos das plataformas públicas do DATASUS (SIH/SUS e SIM), abrangendo o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2024, com base em notificações de IAM (CID-11: I21), em Goiás. Os dados foram organizados em dois grupos: pré-implementação (janeiro de 2019 a dezembro de 2021) e pós-implementação (janeiro de 2022 a dezembro de 2024) do protocolo nacional para IAM aplicado em atendimentos de urgência. O modelo foi desenvolvido na linguagem de programação Python, versão 3.13, com o auxílio de uma biblioteca para dados estatísticos denominada ‘Scipy’. A comparação foi construída em torno da comparação inferencial das variáveis internações, mortalidade e tempo médio de permanência hospitalar. Para a validação de diferenças significativas entre os períodos investigados, o teste t de Student foi utilizado, enquanto a interpretação das medidas de efeito foi aplicada com a medida d de Cohen. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A média de internações mensais aumentou significativamente após o protocolo (de 354 para 538), assim como o tempo médio de permanência hospitalar (de 4,00 para 4,83 dias). Ambas as diferenças apresentaram significância estatística. A taxa de mortalidade hospitalar, por sua vez, reduziu-se levemente (de 8,69% para 8,23%), porém sem significância estatística. Os dados sugerem aumento na complexidade assistencial e no acesso, sem reflexo claro sobre a letalidade hospitalar. CONCLUSÕES: Os achados reforçam o papel da padronização no aumento da cobertura assistencial, embora sem impacto direto na mortalidade. As subnotificações e outras inconsistências, comuns em dados secundários públicos, mostram-se como limitações do estudo. Em suma, sugere-se a ampliação temporal e geográfica da análise em estudos futuros.
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