A INTEGRAÇÃO DA ESPIRITUALIDADE NA PRÁTICA CLÍNICA DOS CUIDADOS PALIATIVOS
Palavras-chave:
Espiritualidade, Cuidados Paliativos, Qualidade de VidaResumo
INTRODUÇÃO: Os cuidados paliativos têm como objetivo central promover qualidade de vida a pacientes em condições ameaçadoras à vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico e social. Nesse contexto, a espiritualidade surge como um quarto pilar essencial, permitindo que o paciente encontre sentido, esperança e dignidade diante da finitude. Apesar de sua relevância, a dimensão espiritual ainda é subvalorizada em muitas práticas assistenciais, especialmente no Brasil. OBJETIVO: Analisar a contribuição da espiritualidade no cuidado paliativo, considerando seu impacto no alívio do sofrimento de pacientes, no enfrentamento da sobrecarga emocional dos familiares e nos desafios de sua inserção na prática clínica. MÉTODO: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde, com os operadores booleanos “espiritualidade” AND “cuidados paliativos” AND “familiares”. Foram incluídos artigos publicados entre 2000 e 2024 que abordassem a espiritualidade como apoio em cuidados paliativos, e excluídos estudos duplicados, editoriais e publicações não específicas. A busca inicial identificou 320 artigos, dos quais, após a triagem, 5 foram incluídos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A espiritualidade mostra-se fundamental nos cuidados paliativos, pois contribui para o alívio do sofrimento físico, emocional e existencial. Práticas espirituais promovem bem-estar, reduzem o sofrimento psicológico, auxiliam na ressignificação da condição e devem respeitar tanto pacientes religiosos quanto os espiritualizados sem vínculo religioso. Intervenções espirituais também melhoram a autoestima e reduzem sintomas depressivos e ansiosos, configurando-se como práticas relevantes no cuidado. Nos familiares, a espiritualidade ajuda a enfrentar a sobrecarga emocional, já que cuidadores que a utilizam relatam menos estresse, menos sintomas depressivos e maior resiliência. Além disso, famílias apoiadas espiritualmente pela equipe de saúde sentem-se mais acolhidas, com redução do desamparo e melhor aceitação da finitude. Apesar disso, as equipes de saúde enfrentam dificuldades para abordar o tema, devido à falta de preparo, ausência de protocolos e receio de invadir a intimidade. Tais barreiras decorrem da formação acadêmica centrada nos aspectos biológicos em detrimento dos espirituais, o que gera insegurança e medo de desrespeitar diferentes crenças. CONCLUSÃO: A espiritualidade tem papel importante nos cuidados paliativos, pois contribui para o alívio da dor e do sofrimento físico, emocional e existencial do paciente, trazendo conforto e sentido de vida. Para os familiares, funciona como suporte frente à sobrecarga emocional, favorecendo resiliência e aceitação. Entretanto, ainda existem desafios para sua plena inserção, como o despreparo de profissionais e a diversidade de crenças, devendo ser vista como complemento às práticas médicas e integrada de forma sensível e interdisciplinar.
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Referências
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