SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES DA GRADUAÇÃO E O PERFIL DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR BRASILEIRAS
Palavras-chave:
Universidades, Promoção da Saúde, Saúde PúblicaResumo
INTRODUÇÃO: Muitos brasileiros depositam no ensino superior a expectativa de formação profissional, desenvolvimento pessoal e transformação de vida. No entanto, o êxito acadêmico está vinculado à compreensão das necessidades dos estudantes, sendo a saúde mental um fator decisivo na aprendizagem. A transição para o ensino superior implica mudanças significativas que podem afetar diretamente o bem-estar psíquico. Dados indicam que 1 em cada 5 universitários no mundo apresenta algum transtorno mental, sendo os transtornos de ansiedade os mais comuns. Isso evidencia a urgência de entender as demandas dos acadêmicos e propor alternativas para mitigar seus problemas de saúde mental. OBJETIVO: Investigar como as universidades brasileiras atuam em relação à saúde mental dos estudantes de graduação. METODOLOGIA: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura e uma análise crítica do perfil institucional das IES brasileiras. Foram consultadas as bases PubMed e o Portal de Periódicos CAPES, utilizando o termo “determinants of mental health”. Selecionaram-se três estudos que detalham a definição de saúde mental segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Posteriormente, foram analisados os últimos censos educacionais disponíveis em bases governamentais, observando-se o perfil das instituições quanto à promoção da saúde mental. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A OMS define saúde mental como um estado de bem-estar no qual o indivíduo desenvolve habilidades, lida com o estresse, trabalha produtivamente e contribui com sua comunidade. A literatura aponta 14 determinantes da saúde mental: alfabetização em saúde mental, atitudes sobre transtornos mentais, autopercepções, habilidades cognitivas, desempenho acadêmico, emoções, comportamentos, estratégias de autogestão, habilidades sociais, relações familiares e significativas, saúde física e sexual, sentido de vida e qualidade de vida. Observa-se, porém, que esse conceito ainda não abrange plenamente as idiossincrasias das populações. Além disso, menos de 1% das IES brasileiras são reconhecidas como Universidades Promotoras da Saúde (UPS) – instituições que adotam práticas voltadas à promoção da saúde integral, com acesso facilitado a atividades físicas, suporte psicológico, desenvolvimento de habilidades interpessoais e redução de vulnerabilidades sociais. O cenário é ainda mais preocupante no Ensino a Distância (EaD), onde mesmo as UPS oferecem recursos limitados voltados à saúde mental. CONCLUSÕES: As condições psicológicas dos estudantes influenciam diretamente o processo de aprendizagem. Assim, é essencial que as universidades criem ambientes acolhedores e estratégias que reduzam o estresse inerente à formação profissional, promovendo saúde mental de forma efetiva e contínua.
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Referências
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