O USO DE DETERMINADOS ALIMENTOS COMO TERAPIA ADJUVANTE NO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR: UMA UMBRELLA REVIEW DE 2020-2025.
Palavras-chave:
Transtorno Depressivo Maior, Regime Alimentar, TerapêuticaResumo
INTRODUÇÃO: Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o transtorno depressivo maior (TDM), é caracterizado por humor persistentemente deprimido, perda de interesse e prejuízos significativos na vida social e funcional, e seu impacto na saúde pública é elevado afetando milhões de pessoas. O tratamento tradicional para esse transtorno, pautado no uso de psicoterapia e antidepressivos, apresenta resposta parcial ou baixa adesão, o que incentiva a busca de estratégias complementares no seu manejo. Nesse viés, padrões saudáveis de alimentação, como a dieta mediterrânea, têm ganhado grande destaque quanto à associação na redução de sintomas e prevenção da depressão. Assim, a nutrição surge como potencial adjuvante no cuidado do TDM. OBJETIVO: Verificar a efetividade do uso de determinados alimentos e nutrientes na melhora dos sintomas do transtorno depressivo maior. METODOLOGIA: Foi realizada uma Umbrella Review, sistematizada pelo protocolo PRISMA de 2020, utilizando-se as plataformas de busca PUBMED, SciELO e Cochrane. Foram utilizadas as palavras “depression” e “diet”, com o descritor booleano “and” em todas as plataformas, com a seleção dos filtros “Revisão Sistemática”, “Free full text”, “2020-2025” e “Idiomas: Inglês, Espanhol e Português”, e público-alvo acima de 18 anos. De 214 artigos encontrados, após seleção manual, 13 artigos tiveram conteúdo compatíveis com o artigo. Foram excluidos duplicatas ou temas não relacionados com o trabalho. Os artigos foram analisados de maneira independente por dois revisores, as divergências sobre a inclusão ou não dos estudos no trabalho final foram resolvidas por um terceiro pesquisador. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A maioria dos estudos avaliou padrões alimentares em vez de alimentos específicos. Entre eles, a dieta mediterrânea foi a que melhor apontou efeito positivo na melhora clínica do TDM, além de ser fator protetivo para essa patologia. Quanto aos nutrientes, são adjuvantes no tratamento farmacológico, o ácidos graxo ômega-3, especialmente o EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico), e a reposição de vitaminas do complexo B, zinco e magnésio em indivíduos com deficiência comprovada. Entretanto, os estudos sobre probióticos, além de escassos, mostraram resultados heterogêneos, com alto risco de viés e ausência de evidências de impacto clínico relevante. A intervenção MHBC apresentou melhora apenas nos hábitos alimentares, sem efeito direto na prevenção ou redução dos sintomas do Transtorno da Depressão Maior. CONCLUSÃO: A dieta mediterrânea e os nutrientes ômega-3, vitaminas do complexo B, zinco e magnésio demonstram potencial como adjuvantes no tratamento do TDM, reforçando a importância de uma abordagem com certos alimentos integrada à terapêutica convencional. Entretanto, os probióticos mostraram apenas efeitos modestos e de curta duração e a intervenção MHBC não foi eficaz. Assim, são necessárias pesquisas mais amplas e robustas para conclusões consistentes. PALAVRAS-CHAVE: Transtorno Depressivo Maior; Nutrição; Regime Alimentar; Terapêutica.
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