AUTOMEDICAÇÃO E ACESSO IRREGULAR ÀS CANETAS EMAGRECEDORAS: UM DESAFIO DE SAÚDE PÚBLICA
Palavras-chave:
Saúde Pública, Automedicação, Educação MédicaResumo
INTRODUÇÃO: A obesidade, definida pela OMS como doença crônica multifatorial, é um dos maiores desafios de saúde pública e é associada a comorbidades como hipertensão, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, repercussões psicossociais, como depressão e baixa autoestima. A busca por soluções rápidas para emagrecimento tem impulsionado o uso de medicamentos como a semaglutida (Ozempic®), muitas vezes off-label e em contextos de automedicação. Esse fenômeno, amplificado pela influência das mídias sociais, levou o Brasil a se destacar entre os países com maior procura. OBJETIVO: Analisar a automedicação e o acesso irregular às canetas emagrecedoras, visando compreender esse fenômeno como desafio de saúde pública e subsidiar estratégias de prevenção e regulação. METODOLOGIA: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura utilizando-se os descritores “Remédio para Perder Peso”, “Automedicação” e “Saúde Pública” com o auxílio do operador booleano “AND”. As buscas foram realizadas nas bases de dados SciELO, Lilacs e Google Acadêmico por artigos publicados entre 2000 e 2025, escritos em português. Foram incluídos no estudo artigos que atendiam aos seguintes critérios de inclusão: estudos realizados no Brasil; que abordassem especificamente a automedicação e o acesso irregular às canetas emagrecedoras como um desafio de saúde pública; disponíveis na íntegra; publicados em periódicos revisados por pares; e com abordagem quantitativa ou qualitativa relevante aos objetivos da pesquisa. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Foi identificado um aumento de 35% no uso de medicações para emagrecimento sem prescrição, com maior prevalência entre mulheres jovens. Esse comportamento é favorecido pela facilidade de acesso em farmácias e plataformas digitais, associada à fiscalização ineficiente. As canetas emagrecedoras, aprovadas originalmente para o tratamento do diabetes, passaram a ser utilizadas de forma off-label para emagrecimento, impulsionadas pela influência das redes sociais, sendo o Brasil um dos países que mais se destaca nesse uso irregular. Prática ..relacionada a efeitos adversos como: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e hipoglicemia, além de eventos menos comuns, porém graves, como pancreatite, distúrbios hepáticos e reações alérgicas, o que reforça os riscos do consumo sem supervisão médica. O predomínio do uso entre mulheres jovens evidencia a influência de padrões estéticos vindos das redes sociais, o que, somado às falhas de regulação, favorece a automedicação e potencializa consequências negativas para a saúde pública. CONCLUSÕES: Os dados demonstram que o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras configura um problema crescente de saúde pública no Brasil. A automedicação, favorecida pelo fácil acesso e pela influência das redes sociais, amplia o risco de efeitos adversos e reforça a urgência de medidas regulatórias, educativas e de acompanhamento multiprofissional.
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Referências
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