PANORAMA DA MORTALIDADE MATERNA NO NORTE DO BRASIL: UM ESTUDO OBSERVACIONAL
Palavras-chave:
Mortalidade Materna, Epidemiologia, Saúde Materna, Saúde PúblicaResumo
INTRODUÇÃO: O óbito materno corresponde a morte da gestante ou puérpera em decorrência da gestação ou complicações relacionadas em até 42 dias após o parto. Sendo um dos principais indicadores de qualidade da assistência obstétrica e das políticas públicas associadas, o Brasil continua apresentando indicadores acima das metas da ONU para o desenvolvimento sustentável. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de óbitos maternos na região norte do Brasil. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e analítico de abordagem quantitativa através de dados do SIM/DATASUS, dos casos de óbitos maternos entre 2018 e 2023. Foram utilizados como variáveis o tipo causal da morte obstétrica direta, indireta e não especificada, período da morte, faixa-etária e etnia, com análise estatística simples via Microsoft Excel. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Entre 2018 e 2022 ocorreram 1606 casos de óbitos maternos na região norte do Brasil, com 709 (44,1%) casos no Pará e 445 (27,7%) casos no Amazonas, concentrando mais de 70% dos casos; e 48 (3,0%) e 71 (4,4%) no Acre e Amapá, respectivamente, os com a menor quantidade de casos. As causas mais prevalentes de morte são a obstétrica direta com 57,1%, obstétrica indireta 39,2% e não especificada com 3,7%. As maiores prevalências estão nas faixas etárias de 20-29 anos (42,2%) e 30-39 anos (37,4%). O período da morte ocorre predominantemente no puerpério até 42 dias com 60,8% e durante a gestação 31,3%. Quanto à etnia/raça, a maioria dos casos ocorrem nas populações parda (70,2%) e branca (15,1%). Demonstrando, assim, o panorama da mortalidade materna na região, que reflete múltiplos determinantes, como os biológicos, sociais, raciais e regionais, reforçando a necessidade de políticas intersetoriais de saúde para promoção da equidade da saúde materna. CONCLUSÕES: Em concluinte, pode-se afirmar que os casos de mortalidade materna nortista ocorrem com maior prevalência no Pará, com causa diretamente obstétrica, entre a população de 20-29 anos, ocorrida no puerpério precoce e em populações pardas, reforçando a necessidade de fortalecimento do pré-natal e da assistência obstétrica e puerperal.
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Referências
1. Dantas Junior AB, Bezerra AB, da Nobrega AA, Rabello D de L, Lobo A de P, Maciel EL, et al. Distância entre a residência e o local dos óbitos maternos: desigualdades regionais, étnico-raciais e territoriais no Brasil, 2018 a 2023. Revista Panamericana de Salud Pública [Internet]. 2025 Jul 15;49(1680 5348):1. Available from: https://journal.paho.org/en/articles/distance-between-place-residence-and-location-maternal-deaths-regional-ethnic-racial-and.
2. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM: óbitos maternos [Internet]. Brasília: MS; [acesso em 2025 set 10]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/mat10br.def.
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