DESIGUALDADES RACIAIS E REGIONAIS NO RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA NO BRASIL:UM ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DESCRITIVO
Palavras-chave:
Desigualdades de Saúde, mamografia, Neoplasias da MamaResumo
INTRODUÇÃO: No Brasil, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. A taxa de mortalidade dessa neoplasia ainda é alta no país, mesmo tendo um bom prognóstico quando há detecção precoce. A mamografia é essencial para o diagnóstico precoce, pois aumenta significativamente as chances de cura. No entanto, muitos casos são identificados tardiamente devido a fatores sociais associados ao cenário desigual do Brasil, como renda, sexo, região e raça. OBJETIVO:Avaliar a realização de mamografias e a morbidade hospitalar por câncer de mama no Brasil, segundo raça e região. METODOLOGIA:Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, baseado em dados secundários do DATASUS. Foram analisados o número de mamografias realizadas e os casos de morbidade hospitalar por neoplasia maligna da mama no Brasil, no período de 2014 a 2023. As variáveis consideradas foram região geográfica, raça/cor e sexo, sendo incluídas apenas mulheres. RESULTADOS E DISCUSSÃO:Entre 2014 e 2023 foram realizadas 17.842.533 mamografias no Brasil. A região Sudeste concentrou a maior proporção (36,9%), seguida do Nordeste (29,7%), Sul (22,6%), Centro-Oeste (6,8%) e Norte (4,0%). Observa-se que a região Norte, embora não seja a menos populosa, apresentou a menor cobertura de exames, indicando possível desigualdade no acesso. Quanto à raça/cor, as mulheres brancas realizaram a maior parte dos exames (45,4%), seguidas pelas amarelas (25,1%) e pardas (15,6%). Chama atenção o elevado percentual de registros sem informação (8,1%), superior ao observado entre pretas (5,7%) e indígenas (0,1%), refletindo limitações de notificação no DATASUS. Na análise de morbidade hospitalar por neoplasia maligna da mama, a população branca representou 44,7% das internações. Contudo, destaca-se a população parda, com 38,1% das internações, proporção bastante expressiva quando comparada ao número relativamente reduzido de mamografias neste grupo. CONCLUSÃO:Os resultados evidenciam nítidas desigualdades regionais e raciais no rastreamento do câncer de mama no Brasil. Destaca-se a baixa realização de mamografias entre mulheres pardas, apesar da elevada morbidade hospitalar observada neste grupo, assim como a baixa cobertura de exames na região Norte. A mamografia configura-se como exame fundamental para o diagnóstico precoce, permitindo a detecção da doença em estágios iniciais e ampliando as possibilidades terapêuticas. Ressalta-se a importância do adequado registro da variável raça/cor, pois o elevado número de notificações sem essa informação compromete a formulação de políticas públicas direcionadas às populações mais vulneráveis. Em síntese, quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz e de um bom prognóstico.
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