PREVALÊNCIA E MORTALIDADE POR SEPSE NA REGIÃO NORTE DO BRASIL ENTRE 2019 E 2024.
Palavras-chave:
Sepse, Saúde Pública, MortalidadeResumo
INTRODUÇÃO: A sepse é um acometimento sistêmico decorrente de um quadro infeccioso, que representa um importante problema de saúde pública, afetando milhões de indivíduos a cada ano, com taxa de mortalidade entre um sexto e um terço dos pacientes. Na região Norte do Brasil, a incidência anual é expressiva. A identificação precoce, com tratamento adequado nas primeiras horas de manifestação clínica, é determinante para o prognóstico. OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico de pacientes com sepse no Norte do Brasil entre 2019 a 2024. METODOLOGIA: Estudo ecológico descritivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, incluindo notificações de sepse de 2019 a 2024. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, número de internações, caráter do atendimento e taxa de mortalidade. Por utilizar dados públicos e anonimizados, não foi necessária aprovação pelo CEP/CONEP (Resolução CNS nº 510/2016). RESULTADOS e DISCUSSÃO: Foram registrados 49.809 casos de morbidade hospitalar por sepse de 2019 a 2024, com maior incidência em 2023 (21%), fato que pode ser explicado devido ao aumento de notificações pós-COVID-19 e à tradução da diretriz “Surviving Sepsis Campaign” para o português em 2022. Entre os estados da região Norte, o Pará apresentou 23.159 casos (46,5% do total), refletindo sua maior população. No entanto, ao considerar a população de cada estado, Rondônia apresentou a maior incidência proporcional, com aproximadamente 438 casos por 100 mil habitantes, seguida pelo Pará (290/100 mil) e Amazonas (266/100 mil). A maioria dos atendimentos (93,1%) foi de urgência, sugerindo dificuldade na identificação precoce da sepse, potencialmente agravada por barreiras geográficas e escassez de profissionais em áreas remotas. Quanto às características sociodemográficas, 54,1% dos pacientes eram homens e 68,9% pardos, refletindo a composição da região. A faixa etária mais acometida foi de idosos ≥60 anos (45,5%), com maior número de casos entre 60–69 anos (16%) e 70–79 anos (15,5%), possivelmente relacionada à imunossenescência e à prevalência de comorbidades como diabetes, hipertensão e cardiopatias. O Amazonas apresentou a maior taxa de mortalidade (55,9%), possivelmente associada à dificuldade de acesso a serviços de média e alta complexidade, especialmente para populações ribeirinhas e indígenas residentes de localidades distantes. CONCLUSÕES: Os dados indicam alta prevalência e letalidade da sepse, principalmente entre idosos e pardos, com predominância de atendimentos de urgência, sugerindo falhas na detecção precoce e limitações estruturais. A elevada mortalidade no Amazonas evidencia desigualdades no acesso a serviços especializados, especialmente para populações indígenas e residentes de áreas remotas. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas para capacitação profissional, ampliação da rede de saúde e diagnóstico precoce.
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Referências
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