HEMORRAGIA PÓS-PARTO: PANORAMA DAS INTERNAÇÕES NO BRASIL ENTRE 2015 E 2025
Palavras-chave:
Hemorragia Pós-Parto, Hospitalização, EpidemiologiaResumo
INTRODUÇÃO: Hemorragia pós-parto (HPP) é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sangramento > 500 mL em 24 horas após o parto e HPP grave como sangramento > 1.000 mL durante o mesmo período. Nos últimos anos, a HPP e a HPP grave têm aumentado em todo o mundo, mesmo em países desenvolvidos. Nesse sentido, a primeira ação relacionada à prevenção seria reconhecer mulheres em risco que podem desenvolver HPP , para iniciar o tratamento e evitar mortes e complicações. A exemplo, a maior ocorrência como idade < 20 anos , hipertensão , gestações múltiplas , anemia prévia ,uso de fórceps e episiotomia são considerados relevantes fatores de riscos. OBJETIVO: Descrever o panorama das internações hospitalares por hemorragia pós-parto no Brasil , discutindo sua prevalência, distribuição regional , fatores de risco e impacto sobre a morbimortalidade materna. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, referente a internações por hemorragia pós-parto durante o período de maio de 2015 a maio de 2025, no Brasil. Os dados foram obtidos no Sistema de Informação Hospitalar do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), que pertence à base de dados do Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS). Como variáveis utilizou-se: faixa etária, raça/cor e regime público e privado. Ademais, foi calculado a taxa de incidência por região com uma proporção para 100.000 habitantes. RESULTADOS e DISCUSSÃO: Entre Maio de 2015 a Maio de 2025, a região Sul apresentou maior número de casos de internações por Hemorragia Pós Parto por cem mil habitantes, com 16,88 ocorrências, enquanto a região Nordeste com 11,86 casos ocupa o segundo lugar. Em relação à faixa etária, mulheres entre 20-29 anos obtiveram maior número total quando comparadas às outras idades, totalizando 12.031 casos durante o período, enquanto as idades entre 15-19 anos obtiveram menores casos registrados. No que tange à raça/cor, houve uma maior hospitalização por pacientes de raça preta, com 1.209 casos, e a raça branca em seguida, com 8061 internações. Referente ao regime, o serviço público obteve 584 casos totais, sendo 174 casos a mais do que no serviço privado. CONCLUSÕES: Os achados deste estudo reforçam que a hemorragia pós-parto segue sendo um desafio relevante para a saúde materna no Brasil, afetando de forma desigual diferentes regiões e grupos populacionais. As disparidades observadas entre regiões, faixas etárias e raça/cor sugerem desigualdades no acesso, na qualidade do cuidado e na capacidade de resposta do sistema de saúde. Diante desse cenário, torna-se essencial investir em treinamento contínuo das equipes de saúde e fortalecimento das redes de atenção obstétrica do pré-natal ao puerpério, especialmente nas regiões mais vulneráveis. A identificação precoce de fatores de risco e a organização de fluxos assistenciais eficientes são medidas fundamentais para a redução da morbimortalidade materna associada à HPP.
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Referências
1. BOROVAC-PINHEIRO, A.; RIBEIRO, F. M.; PACAGNELLA, R. C. Risk factors for postpartum hemorrhage and its severe forms with blood loss evaluated objectively – A prospective cohort study. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 43, n. 2, p. 113–118, 2021. DOI: https://doi.org/10.1055/s-0040-1718439.
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Copyright (c) 2025 Lucca Pereira Castro Rocha, Ana Carolina Silva dos Santos Carivar, Maria Rita de Oliveira Santana Lopes, Marina Silva de Carvalho, Tiago Landim D'Ávila (Autor)

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