INCIDÊNCIA DE CHIKUNGUNYA EM RONDÔNIA ENTRE 2022 E 2025: UM ESTUDO ECOLÓGICO
Palavras-chave:
Vírus Chikungunya, Epidemiologia Analítica, Distribuição TemporalResumo
INTRODUÇÃO: A chikungunya, arbovirose causada por vírus do gênero Alphavirus transmitido pelo Aedes aegypti, é uma ameaça global com surtos em mais de 100 países e, entre 2014 e 2024, resultou em 7.421 internações no Brasil. Em 2024, foram registradas 254 mil notificações e 161 óbitos. Em Rondônia, a intensificação dos casos reforça a necessidade de avaliação epidemiológica direcionada. OBJETIVO: Analisar os padrões de ocorrência da chikungunya em Rondônia, destacando variações por faixa etária e sexo entre 2024–2025, além da evolução temporal dos casos entre 2022–2025 até a semana epidemiológica 23. METODOLOGIA: Estudo ecológico, observacional e retrospectivo, realizado em Rondônia. Foram utilizados dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e InfoDengue. Para análise temporal, consideraram-se os casos confirmados entre as semanas epidemiológicas 1 e 23 de 2022 a 2025; já a distribuição por sexo e faixa etária utilizou o recorte de 31/08/2024 a 30/08/2025. As variáveis analisadas foram ano, semana epidemiológica, sexo e faixa etária. A análise quantitativa foi descritiva, expressa em frequências absolutas e relativas. Os dados foram organizados em planilhas do Google Sheets. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Na análise temporal referente às semanas epidemiológicas 1 a 23, constatou-se incremento progressivo da incidência de chikungunya em Rondônia, com 349 registros em 2022, 606 em 2023, 1.954 em 2024 e 5.225 em 2025, configurando tendência ascendente e expressiva expansão da arbovirose. No recorte sociodemográfico entre 31/08/2024 e 30/08/2025, foram notificados 21.137 casos, dos quais 57% em indivíduos do sexo feminino. As faixas etárias mais acometidas foram 20–29 anos (3.425), 30–39 anos (3.322) e 40–49 anos (3.312), seguidas pelo grupo ≥60 anos (3.104). As faixas de 0–9 anos totalizaram 2.199 registros, enquanto 10–19 anos corresponderam a 2.831. Este perfil epidemiológico converge com evidências nacionais que descrevem maior prevalência em mulheres e adultos jovens, além de impacto relevante em populações de idade avançada. A progressão em Rondônia acompanha a dinâmica brasileira, que em 2023 ultrapassou 350 mil casos prováveis, reforçando a magnitude do problema de saúde pública e a necessidade de estratégias de vigilância integrada e fortalecimento do controle vetorial. Em 2025, a semana epidemiológica 13 concentrou o maior número de registros, coincidindo com o período chuvoso, favorável à proliferação do Aedes aegypti. CONCLUSÕES: O estudo demonstrou tendência ascendente da chikungunya em Rondônia entre 2022 e 2025, com maior ocorrência em mulheres e nas faixas etárias de 20–49 e ≥60 anos. Como limitação, ressalta-se o uso de dados secundários, sujeitos à subnotificação, e a restrição ao estado de Rondônia, o que reduz a abrangência dos achados. Recomenda-se que futuras investigações em escala nacional avaliem se o padrão identificado corresponde a uma particularidade regional ou expansão de caráter nacional.
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Referências
1. PEDÍ et al. Epidemiology of Chikungunya Hospitalizations, Brazil, 2014–2024. Emerging infectious diseases, v. 31, n. 9, 5 ago. 2025.
2. JESUS et al. Retrospective epidemiologic and genomic surveillance of arboviruses in 2023 in Brazil reveals high co-circulation of chikungunya and dengue viruses. BMC Medicine, v. 22, n. 1, 20 nov. 2024.
3. DE SOUZA, W. et al. Chikungunya: a decade of burden in the Americas. The Lancet Regional Health - Americas, v. 30, p. 100673–100673, 1 fev. 2024.
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Copyright (c) 2025 Marcelo Vinícius Pereira Silva, Karla Izabelle dos Reis Pontes, Stênio Alves Leite de Andrade (Autor)

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