O PREÇO INVISÍVEL DO TABACO
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1507Palavras-chave:
Tabagismo, Indústria do Tabaco, Saúde PúblicaResumo
O tabagismo permanece como um dos mais persistentes desafios da saúde pública global e brasileira, exigindo uma compreensão que ultrapasse a tradicional abordagem clínica isolada. Este editorial analisa o fenômeno sob uma ótica multidimensional, explorando as externalidades negativas econômicas, sociais e ambientais que compõem o custo oculto da indústria fumageira. A despeito do sólido arcabouço de controle no Brasil, o recente aumento atípico na prevalência de fumantes entre 2024 e 2025 alerta para a eficácia das novas estratégias mercadológicas da indústria, particularmente a introdução de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) e a publicidade predatória nos pontos de venda. Tais táticas perpetuam a dependência e aprofundam assimetrias financeiras, uma vez que os custos arcados pelos sistemas de saúde e pela sociedade superam desproporcionalmente os lucros corporativos. Ademais, o ciclo produtivo da fumicultura impõe severos danos ecológicos e compromete a saúde dos agricultores, evidenciando que o uso do tabaco é intrinsecamente ligado a determinantes sociais da saúde e vulnerabilidades socioeconômicas. Diante desse cenário complexo, políticas públicas transversais tornam-se inadiáveis. Para subsidiar o enfrentamento dessa engenharia de consumo e aprimorar os protocolos terapêuticos de cessação, conclui-se que é imperativo o fomento a pesquisas multidimensionais que integrem epidemiologia, economia, impacto ambiental e ciências sociais.
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