TRABALHO, GÊNERO E SAÚDE: O PERFIL DAS LER/DORT EM SANTA CATARINA (2014–2024)
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1196Palabras clave:
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, Lesões por Esforço Repetitivo, Doençs Ocupacionais, ReumatologiaResumen
INTRODUÇÃO: As Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) constituem importantes causas de morbidade ocupacional, sendo frequentemente associadas a fatores ergonômicos, jornadas prolongadas e aspectos psicossociais. METODOLOGIA: Este estudo descritivo, retrospectivo e quantitativo analisou as notificações de LER no estado de Santa Catarina, entre 2014 e 2024, a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As variáveis analisadas incluíram sexo, faixa etária, jornada e regime de trabalho. RESULTADOS: Foram identificadas 1.683 notificações, sendo a maioria em mulheres (n = 1.131; 67,2%), especialmente na faixa etária de 35 a 49 anos. A maior parte das mulheres acometidas possuía jornada superior a seis horas diárias (71,6%) e vínculo empregatício formal (53,6%). DISCUSSÃO: Os dados sugerem que a predominância de notificações de LER/DORT em mulheres economicamente ativas pode estar relacionada a múltiplas cargas físicas e emocionais, frequentemente associada à dupla jornada de trabalho. Quanto ao sexo masculino (n = 552), apesar da exposição ocupacional significativa, o número de notificações foi inferior, o que pode estar relacionado à menor adesão aos serviços de saúde. Além disso, verificou-se que os vínculos formais de trabalho foram os mais representados entre os casos, possivelmente devido à maior fiscalização e presença de estruturas de vigilância em saúde ocupacional. CONCLUSÃO: Os achados reforçam que existem diferenças entre as notificações de LER/DORT em relação a sexo, idade, jornada de trabalho e regime de trabalho. Sendo assim, destaca-se a importância de políticas públicas mais sensíveis às desigualdades de gênero e à promoção de ambientes laborais saudáveis e igualitários, com ênfase na prevenção, diagnóstico precoce e equidade no cuidado com a saúde do trabalhador.
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