Perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos no Rio Grande do Norte (2014 - 2023)
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1096Keywords:
Acidente Ofídico, Sistema Nacional de Agravos de Notificação, Vigilância em Saúde Pública, Distribuição Espacial, Estudos de Séries TemporaisAbstract
Introdução: O Brasil figura entre os países com mais notificações de acidentes ofídicos, com morbimortalidade impactante, porém diferenças regionais em seu cenário biodiverso ainda são pouco documentadas. Logo, este estudo objetiva analisar a distribuição temporal e a caracterização epidemiológica dos acidentes ofídicos no Rio Grande do Norte (RN) entre 2014 e 2023, com foco nas serpentes do gênero Bothrops. Métodos: estudo baseado em dados do SINAN/DATASUS, abordando variáveis como região de notificação, idade, sexo, espécie de serpente, evolução dos casos e tempo de atendimento. a análise foi feita por estatística descritiva. Resultados: o Nordeste concentra 27% dos acidentes ofídicos no Brasil, com o RN respondendo por 6%, sendo o terceiro estado mais afetado em termos proporcionais (13 casos por 10.000 habitantes) na região. Entre 2014 e 2023, as notificações aumentaram 174,4% nas notificações, com picos em 2015, 2019 e 2023. Os acidentes ocorreram principalmente entre maio e agosto, com 77,5% classificados como leves ou moderados. A evolução dos casos indicou 70,8% de cura e 0,43% de óbitos. Observou-se uma discrepância entre os locais de notificação e residência, com 33,4% das notificações na região metropolitana, mas uma migração de pacientes de outras áreas. O tempo até o atendimento foi mais rápido na capital (62% atendidos nas primeiras 3 horas). Além disso, 29,2% das notificações apresentaram dados incompletos. Discussão: A invasão de habitats naturais das serpentes pela urbanização desordenada corrobora o aumento dos casos, com resposta insuficiente dos serviços de saúde por desintegração de suas atividades e subnotificação. Conclusão: O RN apresenta alta incidência de acidentes ofídicos, especialmente nos meses chuvosos, e há necessidade de melhorar a distribuição de recursos de saúde, o sistema de notificação e a integração entre saúde, cuidados com o meio ambiente e agricultura para uma resposta mais eficaz.
References
MATOS RR, IGNOTTI E. Incidência de acidentes ofídicos por gêneros de serpentes nos biomas brasileiros. Ciênc. Saúde Colet. 2020;25:2837-46.
CORDEIRO EC, ALMEIDA JS, SILVA TSD. Perfil epidemiológico de acidentes com animais peçonhentos no Estado do Maranhão. Rev. Ciênc. Plur. 2021;7(1):72-87.
MAGALHÃES CDS, et al. Aspectos epidemiológicos e clínicos dos acidentes ofídicos ocorridos nos estados de Alagoas e de Pernambuco. Rev. Saúde Meio Ambiente. 2020;10(1):119-32.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes nacionais da vigilância em saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2010. 252 p. (Série B. Textos Básicos de Saúde; v. 13). Série Pactos pela Saúde 2006.
LIZARZABURU-ORTIZ C, YUMI G, CARVAJAL A, PACHACAMA AB, BERRAZUETA A, ROJAS E. Uma consequência rara e urgente após uma picada de cobra. Cureus. 2022;14(2):e21910.
SARKAR S, et al. Snake bite associated with acute kidney injury. Pediatr Nephrol. 2021;36(12):3829-40.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Objetivos do Milênio: antecedentes [Internet]. [citado 2024 jul 20]. Disponível em: https://www.un.org/millenniumgoals/bkgd.shtml
BRASIL. Ministério da Saúde. Acidentes Ofídicos [Internet]. [citado 2024 jul 20]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/animais-peconhentos/acidentes-ofidicos
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Cidades: 2020 [Internet]. Rio de Janeiro: IBGE; 2020 [citado 2023 maio 6]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pi/panorama.
ALMEIDA MM, et al. Revisão sistemática: as principais complicações do acidente botrópico. Estudos. 2016;43(1):71-8. doi: 10.18224/est.v43i1.5189.
LUZ VM, PEREIRA YL, ARAÚJO VD. Acidente ofídico com complicação em síndrome compartimental: revisão de literatura. Rev. Ciênc. Tocantins. 2021;1(1):1-12.
BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Saúde 2020-2023: Saúde para todos! Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2021.
Ministério da Saúde. DATASUS. Tabnet. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Thiago Xavier Lemos, João Vitor Gomes Guilherme, LUIS MIGUEL GARCIA DE CASTRO, elisangela Franco de Oliveira Cavalcante

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
User licenses define how readers and the general public can use the article without needing other permissions. The Creative Commons public licenses provide a standard set of terms and conditions that creators and other rights holders can use to share original works of authorship and other material subjects to copyright and certain other rights specified in the public license available at https:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR. Using the 4.0 International Public License, Brazilian Medical Students (BMS) grants the public permission to use published material under specified terms and conditions agreed to by the journal. By exercising the licensed rights, authors accept and agree to abide by the terms and conditions of the Creative Commons Attribution 4.0 International Public License.