AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA DOS NÍVEIS DE ANSIEDADE EM ACADÊMICOS DE MEDICINA ATUANTES EM UMA CLÍNICA UNIVERSITÁRIA: UM ESTUDO TRANSVERSAL
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v11i15.1159Palavras-chave:
Ansiedade, Estudantes de Medicina, Psiquiatria, Sintomas PsíquicosResumo
INTRODUÇÃO: Os transtornos de ansiedade correspondem a um grande grupo de desordens mentais existentes com elevada prevalência em estudantes de medicina, capaz de causar significativo impacto em aspectos físicos e mentais naqueles que o possuem, afetando o processo de aprendizagem dessa camada. O presente trabalho visou conhecer a prevalência dos níveis de ansiedade, seus fatores de risco e suas repercussões em estudantes de medicina que atenderam numa clínica universitária. MÉTODOS: Nesse estudo transversal, foram avaliados 233 estudantes de medicina da 5ª a 8ª fase entre fevereiro e junho de 2024. Foram aplicados formulários on-line contendo um questionário acerca dos dados epidemiológicos e dos fatores predisponentes ou agravantes, juntamente com o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). RESULTADOS: 70,4% dos participantes eram do sexo feminino, a média de idade foi de 22,81 ± 2,89 anos, 44,6% possuíam ansiedade mínima ou ausente, 27,5% ansiedade leve, 14,6% ansiedade moderada e 13,3% ansiedade grave. O sexo feminino correspondeu a 94,1% dos indivíduos com ansiedade moderada e 80,6% dos com grave. 21,9% dos acadêmicos referiram que a situação que mais gerava ansiedade foi ao realizar o exame físico, 71,0% dos com ansiedade grave referiram insegurança nos atendimentos e 93,5% dos com ansiedade grave referiram prejuízo no rendimento acadêmico. CONCLUSÃO: Esses resultados destacam a importância da presença e divulgação dos núcleos de atendimento à saúde mental nas universidades, capazes de guiarem e atenuarem sintomas dos transtornos de ansiedade, melhorando desempenho estudantil.
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